7 de fev de 2009

APOIO PEDAGÓGICO

IDENTIFICAÇÂO:ESCOLA BASICA ANGELO SCARPA

APOIO PEDAGÓGICO



Justificativa: Percebe-se de que alguns alunos que precisam de reforço durante um período para que eles possam conhecer e ter o dom para a leitura na escola com a turma de 1ª a 4ª serie

Objetivo:
Contribuir com as aulas de reforço para que as crianças com dificuldades de leitura e escrita possam superá-las

Objetivo específico:
• Ler histórias infantis;
• Fazer interpretação de Texto;
•Fazer releituras e novas escrituras da história;
•Confeccionar jogos didáticos para leitura;
• Elaborar fichas de leitura.
• Colaborar com as crianças na produção dos deveres.

Fundamentos Teóricos:
O objetivo é propor uma sala de apoio pedagógico, para que os alunos possam ter o prazer de ler e de escrever na escola, que é contribuir para o enfrentamento do trabalho,muitas vezes solitários e individualizando, o isolamento e o despreparo dos que fazem a escola para lidar com a complexidade do contexto educacional marcado pela a demanda urgentes e preocupantes,tais como a distorção e abandono escolar.
Numa perspectiva de educação inclusiva, em cujos princípios nos ancoramos, repertório de cada professor/a é considerado um recurso rico para trocas de experiências com o objetivo de aperfeiçoamento da prática docente. Desta forma, as atividades de planejamento pedagógico devem se constituir um momento de compartilhamento de experiências docentes e de reflexão sobre a prática pedagógica com vistas a responder diversidade (étnica, cultural, econômica, social, e outras) existente na sala de aula, bem como aos diferentes estilos e ritmos de aprendizagem dos/as alunos/as.

Metodologia:
•Através de jogos Pedagógicos;
•Oportunizar aos alunos outras vivências de aprendizagem;
•Ajudar os alunos a fazerem as tarefas;
• Fazer leitura e produção textual
Recursos
• Sala especifica;
• Jogos;
• Livros infantis da biblioteca
Cronograma:
A aula de reforço acontecera 2 vezes por semana.
Avaliação.
Acompanhar o interesse do aluno com a aula e o rendimento dele perante o reforço.
Referências:
KOCH, Ingedore G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez,2002,17-19

1ª Festa do ORKUT ( Centro Comunitario Frei Adercides )

1ª Festa do ORKUT ( Centro Comunitario Frei Adercides )
dia 30 de abril- Quarta Feira

Bada Industria Nacional
Banda Gaúcha
Ainda
ILUMINAÇÂO
Distribiçaõ de brinde
-
Ingressos Antecipados a 15, Locadora (a partir de 22/04)
São João Do SuL
Turma da Pedagogia
Loja Claro
Eletrobens
Supermercado Friosul

Passo de Torres
Auto Posto


Praia Grande

Papelaria do maninho
Posto Texaco

Sombrio

Santa Rosa do Sul


Jacinto Machado
Ararangua

Turvo


Torres

Essa ideia do baile veio antes de terminar a faculdade de pedagogia. Foi uma ideia minha que foi realizado.

O que é Autismo?

O que é Autismo?
O autismo é um transtorno do desenvolvimento, que manifesta-se tipicamente antes dos 3 anos de idade. Este transtorno compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação, (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em muitos casos um retardo mental. Segundo pesquisas, cerca de 60% dos indivíduos autistas apresentam epilepsias.

Por ainda não ter uma causa específica definida, é chamado de Síndrome (=conjunto de sintomas) e foi primeiro classificado em 1943 por Leo Karner. Hans Asperger pesquisou e em 1944 classificou a Síndrome de Asperger, um dos espectros mais conhecidos do Autismo, a grosso modo, um autismo brando. Ao conjunto de determinadas variações, chamamos de Espectro do Autismo, pois somam-se as características autísticas, outras específicas de cada grupo de outros sintomas.
Em recente estatística publicada pela revista americana Time Magazine (Maio/2002), a incidência de autismo atualmente é 1 em cada 175 nascimentos sendo 4 meninos para 1 menina. Como em qualquer síndrome o grau de comprometimento pode variar do mais severo ao mais brando e atinge todas as classe sociais, em todo o mundo. Já em 2003 as estatísticas apontam 1 caso de autismo para cada 150 nascimentos.
O autismo é geralmente diagnosticado por um médico neuropediatra ou por um psiquiatra especializado em autismo.
Ainda não se tem uma causa específica, mas há várias suspeitas de possíveis causas e as pesquisas não param.
Recentes estudos apontam a contaminação por mercúrio (Thimerosal) e outros metais pesados como possíveis causas. Em alguns países já é proibido o uso de vacinas com Thimerosal e outros agentes portadores de mercúrio na fabricação de vacinas.
Os critérios de diagnósticos mais aceitos são avaliações completas com base na DSM IV (da Associação Americana de Psiquiatria) ou CID-10 (publicado pela Organização Mundial de Saúde), disponíveis na área de download deste site. Lembre-se o diagnóstico deve ser feito por profissional especializado.
Alguns espectros mais conhecidos de autismo são:
Síndrome de Angelman
Síndrome de Asperger
Síndrome do X Frágil
Hiperlexia
Síndrome de Landau Kleffner
Distúrbio Obsessivo-Compulsivo
Distúrbio Abrangente do Desenvolvimento
Síndrome de Rett
Síndrome de Prader-Willi
TDA Transtorno do Déficit de Atenção/hiperatividade
Os Caminhos da Inclusão no Brasil Aspectos Legais: Não se pode falar em inclusão, sem lembrar ao menos um pouco, da parte legal que a envolve. Precisamos voltar à época do Brasil – Império, onde na Constituição de 1824, foi consagrado o direito à educação para todos os Brasileiros. Tendo esse direito se mantido nas Constituições de 1934, 1937 e 1946. Tendo ainda em 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, onde se afirma o princípio da não discriminação e proclama o direito de toda pessoa à educação.

Entre as décadas de 50 e 60, surge a discussão sobre o conceito de Normalização, que tem como princípio, fazer com que a pessoa retardada (como se referia ao de déficit intelectivo), se assemelhe às condições normais de sociedade, questionando assim, as tendências segregativas e centralizadora com que eram atendidas. A educação especial no Brasil começa a ter um cunho educacional, apesar de ainda manter características assistencialistas.

A partir dos princípios de normalização, a Educação Especial passou por importantes mudanças. No ano de 1959 com a aprovação da Declaração dos Direitos da Criança, tem assegurado no seu capítulo 7º. , o direito à educação gratuita e obrigatória, ao menos em nível menos elementar. Esses direitos foram mantidos nas Constituições Brasileiras de 1976 e 1969 respectivamente.
Em nossa atual Constituição (1988), esses direitos não só foram mantidos, como entendidos como sendo dever do Estado e da família, no seu art. 205. Temos ainda no Estatuto da Criança e do Adolescente, no seu art. 54 e 66, de forma mais específica assegurado o direito à educação, onde se faz referência aos Portadores de Necessidade Educacionais Especiais e seus direitos, não só a educação, como também ao trabalho.

No ano de 1990, aconteceu a Conferência Mundial Sobre Educação Para Todos. Felizmente a educação aparece como preocupação mundial. O tema foi motivo de vários estudos e encontros. Na Espanha, durante a Conferência Mundial de Necessidades Educacionais Especiais, foi aprovada a Declaração de Salamanca no ano de 1994, cujos princípios norteadores são:

- O reconhecimento das diferenças;
- O atendimento às necessidades de cada um;
- A promoção de aprendizagem;
- O reconhecimento da importância da "escola para todos";
- A formação de professores.

Os aspectos políticos – ideológicos que estão embutidos nos princípios desta Declaração, nos leva a pensar num mundo inclusivo, onde todos têm direito à participação na sociedade, fazendo valer a democracia de forma cada vez mais ampla.

Não se pode deixar de mencionar que as grandes linhas estabelecidas pela Constituição, foram regulamentadas em seus mínimos detalhes pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei no. 9.394/96. Onde pela primeira vez temos um capítulo (capítulo V) destinado à Educação Especial, cujos detalhamentos são fundamentais:

- Garantia de matrícula para os Portadores de Necessidades Educacionais Especiais, preferencialmente na rede regular de ensino;

- Criação de apoio especializado, para atender às peculiaridades dos alunos especiais;

- Oferta de educação especial durante a educação infantil;

- Especialização de professores.

Alguns autores destacam a importância da Lei no. 9.394/96 ter um capítulo destinado a esta modalidade. No entanto, como coloca Rosita Edler (1998), esta não amplia a discussão sobre inclusão, uma vez que seria necessário que esta estivesse presente em todas as modalidades de educação.

Podemos observar a importância e urgência em aplicar esses textos legais, se levarmos em conta, que no Brasil apenas 3% dos P.N.E.E, têm acesso e permanência na escola, necessitando muitas vezes, recorrer aos Conselhos Tutelares, para fazer valer esse direito inquestionável.

Com a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997, onde se aborda a diversidade, temos no tocante à Adaptação Curricular a clara necessidade de adequar objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, de forma a atender as peculiaridades dos alunos. Temos numa abordagem geral, o tema Interação e Cooperação, onde um dos objetivos da educação escolar é que os alunos, aprendam a conviver em grupos, valorizando sua contribuição, respeitando suas características e limitações, e de forma mais específica, as Adaptações Curriculares Estratégias para Educação de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais.

Porém com todas essas leis, adaptações, estabelecimento de parâmetros e tantas outras ações pensadas e elaboradas, é ainda muito pouco ainda se oferece, na prática nos deparamos com obstáculos de toda ordem, principalmente quando pensamos nessas questões em relação ao aluno portador de autismo e outros transtornos invasivos do desenvolvimento. Quem está preparado para receber nossas crianças autistas? Quem conhece, ao menos um pouco, do que é ser autista? Ou ainda, quem conhece o autismo? Que criança poderá ser incluída e o que será oferecido às que não puderem ser?

São tantas as perguntas, que daria para escrever um livro, mas não é esse o objetivo, e sim mais uma vez lembrar que cabe aos que conhecem (ao menos um pouco) sobre o autismo, divulgar, esclarecer, enfim, informar!


Vania Viana – Professora de Educação Especial
E-mail Outros Artigos da Professora Vania Viana:
- Professora de Educação Especial Autismo e Educação A educação de pessoas autistas não têm recebido até então a atenção necessária, disso estamos cientes. Nem mesmo a educação especial tem dado conta desse alunado, cuja sensibilidade se mistura com ares de quem não compreende a vida, provoca inúmeros sentimentos e abala a segurança de profissionais cuja competência é evidente. Mas, se há profissionais capazes o que falta? Informação! Esta é a palavra chave. E é esta informação que precisamos fazer chegar a estes profissionais.
O novo, desconhecido, diferente, não abala e fragiliza somente nossos alunos autistas, mas ao homem de maneira geral.
Há quatro anos trabalho com crianças autistas e até hoje vivo a solidão de ser única na escola onde leciono. Tenho investido na divulgação do que é possível, nos vários trabalhos e das competências que podem ser desenvolvidas com nossas crianças, desta capacidade que está no interior de cada uma delas esperando para ser exposta, para desabrochar e dar os frutos que sabemos ser doce...
Na solidão de minha sala de recursos, sonho dia-a-dia com o investimento na educação de nosso pequeninos, no despertar de mais profissionais, de ter e dar opções e adequar o trabalho que hoje é oferecido de forma tímida e isolada. Mas sei, que sozinha, sem o investimento dos sistemas de ensino, pouco posso pode fazer.
Estamos a muito, em banho maria, é preciso aumentar a chama do profissional determinado, empreendedor. Mostrar que todo bom trabalho é como a terra, precisa ser preparada, adubada, para então germinar as sementes nela depositada.
Nosso trabalho, como essa semente para se tornar uma bela árvore necessita de carinho (investimento pessoal), água (capacitação/informação), e calor (união de esforços), coisas fundamentais para que se possa ter e desenvolver uma prática educacional adequada e eficaz. Que supra a necessidade de nossas crianças e dê maior satisfação profissional, e esta vem do progresso de nosso alunos, que na sutileza do seu modo de ser, clama por seus direitos, tão bem declarados nos inúmeros documentos e leis mas, tão esquecidos na prática.


Vania Viana – Professora de Educação Especial E-mail Outros Artigos da Professora Vania Viana:











A Escolha da Escola (por Lucy Santos)
A procura por uma escola adequada deve levar em conta uma série de fatores; primeiramente de acordo com o quadro da criança, você deve ver se é melhor para ela uma escola normal (a chamada educação inclusiva) ou uma escola especial adequada a síndrome da criança. Para esta decisão é preciso examinar com calma se a escola normal têm as condições para atender bem seu filho(a), se os educadores da escola estão concientes e preparados (não basta aceitar a criança, não se trata disto, é preciso que possam ajudá-lo a desenvolver-se).

As outras crianças costumam lidar melhor com este assunto que os adultos, elas auxiliam em muito o desenvolvimento do amiguinho e geralmente o recebem de coração. Naturalmente se adaptam sem problemas. São os adultos que costumam complicar, criam métodos isto, métodos aquilo, mas as crianças de um modo geral levam mais progresso ao amigo especial que todos estes métodos juntos.

Se você já procurou por educação inclusiva, deve ter levado muitos sustos e choques também. Teoricamente toda a escola deveria "aceitar" a criança, sem discriminá-la, é lei, mas não é isto que acontece. Na prática por mais bem arrumado e bonito que seu filho esteja muitas vão discriminá-lo.Prepare-se.A mediocridade é tanta que chegarão a lhe dizer frases do tipo: "Eu gostaria muito mas não estamos preparados para esta criança; Como vou misturá-los aos outros? Por mim eu matricularia, mas os outros pais não irão concordar!" e por aí a fora. Não se incomode, estas pessoas estão educadoras mas não são educadoras. Realmente elas não servem para nossos filhos (creio que para ninguém).

Se por fim, você conseguir uma escola normal que vai trabalhar bem com seu filho, parabéns (merecerá o Nobel de pesquisa!).
Escola Especial
Em se tratando de escola especial é bom lembrar que as turmas são pequenas (geralmente 5 ou 6 alunos) e as aulas são dadas por professoras especializadas. O atendimento é individual e a criança é trabalhada de forma a superar suas dificuldades. A experiência da equipe em lidar com os problemas comuns aos especiais ajudam muito a criança e a família. Quando ler as placas ou folhetos da escola e ver: psicomotricidade, fisioterapia, musicoterapia, fonoaudiologia etc, não se iluda! Apesar do alto valor das mensalidades, nada, mas nada disto, está incluso, estes trabalhos serão cobrados a parte e será preciso ver se vale a pena trocar a equipe que o atende pela da escola, você decide.

Quem assistiu ao filme Prisioneiro do Silêncio, deve ter ficado impressionado com a preocupação do Estado nos EUA em por o garoto numa escola especial, eles literalmente forçam a mãe, aqui no Brasil não tem disto!

O custo de uma escola de educação especial é alto e nenhuma destas fundações que você vê na TV (Fundação Abrinq, Fundação pelos Direitos da Criança etc) irão ajudar.Elas só trabalham com crianças carentes (penso que em breve será preciso importar pobres pois o que tem de fundação para eles) nossos filhos não estão inclusos.

Se pensou em Direitos Humanos enganou-se novamente, a organização dos "Direitos Humanos" só atua no judiciário. Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação é que responde pela educação especial.Você pode procurar o coordenador da sua região (norte, sul leste e oeste) e solicitar uma bolsa em uma das instituições conveniadas. Para isto deverá levar o laudo da criança e escolher uma escola da lista que vão lhe dar.

Em outras cidades eu não sei como funciona. Sei que em Porto Alegre é super normal o estado custear uma escola especial (e boa) sem maiores problemas.

Em todos os casos, boa sorte, com certeza você vai precisar!
Lucy Santos Para conhecer mais matérias da autora, visite o site "Especialmente Ser" ou escreva para Lucy Santos
Conversando Sobre a Escola Inclusiva

Por Marina S. Rodrigues Almeida (conheça mais sobre a autora, clique aqui)
Psicóloga e Psicopedagoga CRP 06/41029-6

Foi somente no fim do século XIX quando, diante das radicais mudanças sociais rumo a modernidade instaura-se a escolaridade obrigatória.

De fato, o desenvolvimento humano passou a ser avaliado a partir de parâmetros inéditos e novos comportamentos começaram a ser exigidos.

A Educação Inclusiva não surgiu ao acaso, ela é um produto histórico de uma época e de realidades educacionais contemporâneas, uma época que exige que nós abandonemos muitos dos nossos estereótipos e preconceitos, na identificação do verdadeiro objeto que está sendo delineado.

A Psicanálise, quando de seu surgimento, tentava resgatar o sujeito histérico da exclusão social, na medida em que possibilitava que os sintomas fossem escutados e entendidos para além de seu encobrimento pelo mal estar físico.

No paradigma da Inclusão proponho o mesmo modelo, escutar pais, educadores e alunos, de maneira que o sentido seja entendido além de seu encobrimento pelo mal estar da deficiência permanente ou temporária e suas vicissitudes envolvidas.

Um paradigma é um modelo mental, uma forma de ver o mundo, um modelo de referência, filtrando outras percepções, conteúdos determinados, etc. Ele estabelece, em suma, um modelo de pensamento e/ou de crenças através do qual o mundo pode ser interpretado.

Para WINNICOTT o modelo de prevenção inicia-se pelo conceito de preocupação materna primária, o autor descreve como sendo as primeiras atitudes que a mãe inicia ao planejar a inclusão do projeto bebê/filho e posteriormente todos as demais providencias durante a gravidez. As condutas prévias de cuidados, proteção, fantasias destrutivas e amorosas começam a partir deste percurso. Neste momento as fantasias podem ser elaboradas positivamente, favorecendo a criação de um espaço interno imaginário (na mente materna primeiramente) para depois aparecer um espaço externo real, aonde este ser humano será incluso e aceito. Portanto, antes que exista o bebê concreto ele já está vivo na mente da mãe, vai ocupando e conquistando um lugar de identidade. Neste espaço imaginário, a mãe pode odiar seu bebê antes mesmo que ele a odeie, porque ao permitir a entrada do novo, do desconhecido do diferente e talvez “deficiênte” (quando há presença de sentimentos persecutórios constantes), fere nosso narcisismo (nossa imagem de espelho perfeita e ideal). Ao mesmo tempo que alimenta as fantasias do igual e perfeito, aparece a ambivalência dos afetos: é a vez da luta entre amor e ódio, bem e mal, perfeito e imperfeito, aceitar e rejeitar, etc...

Este pressuposto teórico nos ajuda a compreender esta dinâmica relacional humana entre a maternagem imaginária e maternagem ambiente que pode acolher ou excluir: a força dos afetos destrutivos, aparecem através dos conflitos, que são projeções de fantasias destrutivas e perigosos, a defesa é o afastamento, a rigidez, o impedimento, e o distanciamento do outro, que pode ser o bebê ou o portador de necessidades especiais. Consideramos que poderão estar neste inter-jogo emocional outras demandas ( individuais, culturais, etc...) não pretendemos aqui ponderar de forma reducionista, apenas olhamos esta situação por um vértice.

Se as instituições sociais, escolares, familiares, etc.. quiserem se constituir como espaços que acolham as diferenças a meta não deve ser necessariamente enquadrar, mas sim ajudar o “diferente” a encontrar um lugar social, escolar, etc... produtivo da maneira que lhe for possível, ou ainda, auxiliá-lo a encontrar respostas por diversas vias, através de outras formas de conhecer. O que chamamos de preocupação materna primária , numa metáfora para a escola, os professores e funcionários se prepararem para receber o aluno incluso. Lembremos que o desafio psicanalítico foi, desde o início, propiciar a escuta das diferenças e contribuir para que o sujeito possa encontrar seu bem estar dentro delas.

Trabalhar com o portador de necessidades educacionais especiais exige a disponibilidade (interna e externa – maternagem imaginária e maternagem ambiente suficiente) da equipe administrativa escolar, disponibilidade do educador, dos pais e do aluno.

Acredito que talvez seja possível estabelecer um lugar, um espaço intermediário entre a escola comum e a escola especial ou classe especial, com todas suas implicações institucionais, pedagógicas e sociais.

O referencial Inclusivo está sendo entendido por mim como um lugar que deverá ser construído gradativamente antes de se construir um cidadão. A Escola Inclusiva deve tentar auxiliar, na medida do possível, a constituir um sujeito cidadão, para uma SOCIEDADE PARA TODOS.

Incluir é criar, criação no sentido das intersecções de afetos, áreas, valores, conceitos, saberes e pessoas.

Precisamos rever nossa necessidade de desejar o outro conforme nossa imagem, mas respeitá-lo numa perspectiva não-narcísica, ou seja, aquela que respeita o outro, o não-eu, o diferente de mim, aquela que não quer catequizar ninguém, que defende a liberdade de idéias e crenças.(FREUD, 1914).

Precisamos nos atentar para o fato do portador de necessidades especiais estar incluso não o transforma em “normal” no sentido de que suas peculiaridades estejam superadas, pelo contrário ele continua com suas limitações que deverão ser respeitadas e atendidas. Neste momento entra a capacidade afetiva e pedagógica do educador de perceber estas sutilezas.

FREUD (1913) já dizia que a Pedagogia, a Política e a Psicanálise eram profissões do impossível, porque precisamos nos deparar com as limitações com o “desejo do outro”, justamente quando isto não acontece as formas de massificação e autoritarismos são instauradas, para impor o saber pela força, então encontramos uma ilusão de saberes!

Para que tudo isto se modifique, não basta apenas nós trabalharmos com os conteúdos cognitivos/informativos no processo de formação dos educadores para o paradigma da Inclusão, pois se eles não tiverem o desejo do saber instaurado, por mais conteúdos que possamos lhes dar, permanecerão na mesma posição. Acreditamos que devemos sempre estar atentos com o fato da impossibilidade, porque para aprender é necessário que a experiência seja resignificada, posteriormente a tomada de consciência, que será sempre incompleta e parcial. (LAJONQUIÈRE, 1999).

O que torna uma aprendizagem livre é a possibilidade da presença da confusão, do inesperado, porque derruba a teoria, abre para a reflexão e leva a modificação da práxis, este é o maior medo dos professores, e cujo lugar se encaixa o paradigma da inclusão com a entrada do portador de necessidades educacionais especiais. (SEN 1999).

A Psicologia Social vem nos ajudar a compreender a identidade dos seres humanos como sendo atribuições de predicados e adjetivos atribuídos pelo grupo social. No caso do portador de necessidades educacionais especiais, ele carrega um estigma social, bem como tantos outros grupos marginalizados pela sociedade. Entretanto, é importante lembrar que o indivíduo não é apenas algo que lhe atribuem, mas também o que faz e como faz.

Compreendemos a identidade do portador de necessidades educacionais especiais, no paradigma da Inclusão tendo a possibilidade de pensar, de ser e de fazer, resignificando sua identidade através do convívio na diversidade. (HALL, 1997).

O portador de necessidades educacionais especiais não deve então ser visto isoladamente, mas como um ser em relação e portanto nas relações sociais que o aluno deverá estar envolvido, sua identidade poderá ser resignificada e concretizada de maneira positiva.

Para uma Inclusão bem sucedida tanto depende do desejo do professor, dos pais assim como do desejo do aluno querer fazer ou não esta mudança.

O poder das políticas públicas poderá contribuir para criar espaços, assegurar direitos e deveres, promover projetos mais eficientes, mas não dá garantia nenhuma sobre uma verdadeira inclusão entre pessoas se de fato não nos envolvermos. Envolver dá trabalho, leva a responsabilidade e compromisso, é caminhar a passos curtos.

“Aonde não exista afeto de fato não há relação humana possível e portanto não haverá Inclusão”.
História do movimento da escola inclusiva De onde veio a proposta da escola inclusiva?

ADAPTAÇAO do texto da Profa. Dra Leny Magalhães Mrech
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Matéria enviada por Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga e Psicopedagoga



Os quatro eixos básicos que constituíram o Paradigma da Inclusão partiram do entroncamento de quatro fontes básicas: a emergência da Psicanálise ; a luta pelos Direitos Humanos, a Pedagogia Institucional e o movimento de Desinstitucionalização Manicomial ou Antipsiquiatria.

Foram estes desencadeadores que delinearam um problema social, um problema público - a questão da inclusão social - que vem tomando forma e exigindo novas práticas educacionais e sociais.

As contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan , trouxeram uma nova forma de se conceber os seres humanos: a importância da linguagem, do inconsciente e da sexualidade nos processos de constituição dos sujeitos.

Através dos ensinamentos de Freud e Lacan foi possível identificar que havia em relação à sociedade e aos sujeitos uma leitura ingênua do mundo. Uma crença na intencionalidade direta e linear das ações dos sujeitos e da sociedade.

Freud revelou que o sujeito e a sociedade podem ir contra si mesmo. Os sujeitos não criam apenas através das suas ações, o que chamou de pulsão de vida. Eles podem também se destruir ou destruir ao outro, um processo bastante sofisticado que Freud denominou de pulsão de morte.

Com isto foi tornando-se cada vez mais evidente que a sexualidade, a inteligência e a afetividade dos seres humanos não eram apenas produtos já dados, mas construções sociais e individuais. Para Freud e Lacan a ênfase estava nas relações e não em processos biológicos previamente concebidos e estruturados. Um exemplo é a questão atualíssima da violência nas escolas, vem revelando que não basta lidar apenas com o cognitivo, nós precisamos também trabalhar com a afetividade dos alunos, existe um desamparo familiar, social, político, ético, moral etc... encobrindo essa violência manifesta.

Mais tarde, a luta pelos Direitos Humanos veio ampliar ainda mais esta proposta. Ela delineou uma outra passagem que é a luta pelos direitos políticos. De 1964 a 1968, no meio universitário e fora dele, emergiu, no mundo todo, a defesa pelos Direitos Humanos aplicados a todos os sujeitos. Independente do fato de se pertencer a uma dada raça, cor, religião, situação financeira, etc. O objetivo é que todos os sujeitos tivessem acesso e direito garantido aos mesmos parâmetros de ingresso nos processos sociais e educativos.

A luta pela Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, veio revelar o papel estratégico que a Educação vem ocupando na manutenção, ao longo de décadas, de processos estigmatizadores.

Em decorrência, não foi ao acaso que emergiu, na França, na década de 60, a Pedagogia Institucional ou Pedagogia revolucionária, aquela cujas raízes se encontram no movimento frenetiano e no grupo dos Situacionistas Internacionais que, desencadearam no mundo todo, uma nova forma de ver a cultura e a Educação. Esse conceito situacionista, revela a importância de não mais focalizarmos o sujeito isoladamente. É preciso que se identifique também o contexto social - a situação ou ambiência - onde sujeito se encontra colocado.

O movimento mais transformador da cultura na década de 60 e 70, foi o Movimento de Desinstitucionalização Manicomial, ou seja, da quebra das cadeias manicomiais, como lugares de atendimento e tratamento excludentes dos doentes mentais.

Os movimentos de Desintitucionalização e Antipsiquiatria propiciaram novas luzes aos processos de atendimento e tratamento dos doentes mentais. Eles revelaram a importância de situações saudáveis para o bom andamento dos sujeitos. Situações onde os doentes mentais não ficassem excluídos dos ambientes comuns, mas fosse dado o direito de participar de uma forma mais ampla e digna dos contextos sociais comuns.

Acreditamos que os conteúdos que atualmente surgiram em Educação Inclusiva não sejam referidos apenas ao momento presente. Revelam a existência de um problema social maior, um problema público, em relação à maneira como os deficientes têm sido tratados ao longo da história da nossa civilização.
”O brincar e o jogar da criança ao adulto" Uma visão psicopedagógica
Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga e Psicopedagoga
E-mail


“O homem brinca e ele somente é um homem no sentido
Total do mund, quando brinca.”
(Schiller)

Introdução

Foi pensando em minha experiência clínica e institucional, como psicóloga, pedagoga, e posteriormente psicopedagoga, que despertou-me o desejo de investigar mais de perto as relações do “Brincar Infantil”.
Observamos nos últimos anos, que nunca se deu tanto destaque ao brinquedo, como se vem dando ultimamente. As indústrias investem nesta área, desenvolvem toda sorte de brinquedos eletrônicos, jogos, fazem comerciais, propagandas, brindes em supermercado, até as lojinhas de um e noventa e nove atacaram também, (com brinquedos muitas vezes sem qualidade , sem fiscalização e controle do IMETRO. Evidentemente tudo isto tem um fim: o consumo perverso. Descobriram uma fatia do mercado, as crianças e os jovens, que são consumidores em potencial, manipulados, seduzidos, ingênuos. Porém, constatamos que há o lado bom deste estímulo, mas não encontramos nossas crianças brincando com espontaneidade e espírito criador. Logo o brinquedo é descartado e querem outro, ou brincam um pouquinho e depois vão mexer no que não deve. Por que será?
Notamos vários teóricos pesquisando e escrevendo a respeito, como o brinquedo sendo um instrumento enriquecedor , possibilitando a aprendizagem de várias habilidades.

No dia-a-dia, é comum ouvirmos comentários sobre o brincar, num tom queixoso e esvaziado de significado: os pais comentam “Hoje meu filho não foi para a escolinha, também não perdeu nada, só vai para brincar!”; ou os professores falam “Aquela menina não tem feito nada, só pensa em brincar!”. Portanto, o brincar parece estar associado à uma ação irrelevante, ou pelo menos nada que tenha alguma importância para a vida humana.

Os pais valorizam mais as atividades como: “Meu filho faz, natação, inglês, ginástica, faz conservatório musical, teatro, computação, etc....”. Estas atividades são importantes e necessárias, mas está sobrando pouco tempo para a espontaneidade, para o brincar em conjunto, para a fantasia.

A Psicopedagogia tem se constituído no espaço privilegiado para pensar as questões relativas à aprendizagem. Sendo assim, está intimamente ligada ao ato de brincar, como fonte de conhecimento.

Podemos dizer que, a capacidade de brincar faz parte de um processo de desenvolvimento, sendo imprescindível para a sobrevivência psíquica e para o avanço social do homem. Notamos isto na própria história antropológica humana.
Sabemos pela maneira que uma criança, adolescente, adulto, brinca como algo revelador de suas estruturas mentais, pensamentos, sentimentos, interações, ou seja seus níveis de maturidade cognitiva, afetiva – emocional e social.

Faço então uma pergunta: “O que acontece com o brincar; pois ora é tão valioso ora é tão desvalorizado?”

O brincar e o jogar da criança ao adulto

Vejamos a origem das palavras:

- Jogar: do latim “jocare”: entregar-se ao; ou tomar parte no jogo de; executar as diversas combinações de um jogo; aventurar-se ou arriscar-se ao jogo; perder no jogo; dizer ou fazer brincadeira; harmonizar-se.

- Brincar: “de brinco+ar”; divertir-se infantilmente; entreter-se em jogos de criança; recrear-se; distrair-se;saltar; pular; dançar, (...) (Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio, 1986, pp. 286-98)

Percebemos que há uma dificuldade em definir os termos “jogar” e “brincar”, pois ambos tem uma fronteira comum, indicando um grau de subjetividade, em que estas atividades estão implícitas.

Segundo, BOMTEMPO (1987 p.13) “a atividade do brincar, geralmente é vista como uma situação livre de conflitos e tensões, havendo sempre um elemento de prazer. Também é uma atividade com um fim em si mesma, pois não há resultado biológico imediato que altere a existência do indivíduo.”

O brincar da criança não é equivalente ao jogo para o adulto, pois não é uma simples recreação, o adulto que brinca/joga afasta-se da realidade, enquanto a criança ao brincar/jogar avança para novas etapas de domínio do mundo que a cerca.

Precisamos saber que o brincar da criança é uma forma infantil da capacidade humana de experimentar, criar situações, modelos e como dominar a realidade, experimentando e prevendo os acontecimentos.

Quando induzimos a criança a brincar com jogos educativos, chega um momento em que ela interrompe dizendo: -“Bem agora, vamos brincar, tá?”. Portanto a criança não estava brincando no verdadeiro sentido do verbo, quando percebe o objetivo e intenção pedagógica que a cansou, interrompe, pois o brincar é destituído de qualquer objetivo externo e determinado, brincar requer espontaniedade, criatividade, liberdade com limites.

A brincadeira a partir dos 2 aos 4 anos, desenvolve-se com base nas organizações mentais, ou seja a simbolização. Diferencia o “eu” do outro, fantasia de realidade.
No início apresenta características de “pensamento mágico pré conceitual”, ou seja a a criança dá vida aos objetos, atribui sensações e emoções, conversa com eles. É também uma brincadeira solitária, na qual vive diferentes papéis. Pouco a pouco, ensaia um simbolismo coletivo, exigindo dela esforço e descentralização para acrescentar o outro e poder continuar brincando.
A partir dos 4 anos, a brincadeira vai adquirindo um aspecto mais social surgindo as brincadeiras com regras, onde o combinado deve ser respeitado.
Na compreensão da brincadeira simbólica a criança revela situações carregadas de emoções e afetos, as organizações lógicas : classificações, seriações, quantidades, cores, cenário onde aparece seus medos, dificuldades, tensões, inversão de papéis, etc...

Huizinga (1980), filósofo da história em 1938, escreveu seu livro “HOMO LUDENS” no qual argumenta que o jogo é uma categoria absolutamente primária da vida, tão essencial quando o raciocínio (HOMO SAPIENS) e a fabricação de objetos (HOMO FABER), então a denominação HOMO LUDENS, é cujo elemento lúdico está na base do surgimento e desenvolvimento da civilização.

O autor define jogo como: “uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana.”

Em seu livro Huizinga nos conta que:
Nas sociedades antigas, não havia destinação entre jogos infantis e adultos, eram coletivos.
O jogo era considerado como um vínculo entre as pessoas, grupos, classes e gerações, entre passado e futuro. Gradualmente este caráter foi sendo perdido ao longo da história, transformando-o mais individual.
A influência educacional, religiosa e social altera os valores morais, considerava a criança como, um ser não maduro para convívio com adulto, sendo que deveria ser submetida a um “regime especial”.
Os jogos e divertimentos coletivos foram abandonados e o ato de brincar desvalorizado, por não ter função aparente.

Com o surgimento do capitalismo esta idéia teve mais força, pois não podia ser associado a produção e trabalho, se tornou algo inútil.

O importante no brincar não é tanto como a criança, o jovem ou o adulto brinca, mas sim como ela se envolve, lidando de forma cada vez mais criativa e interativa com seu mundo interno e externo.

O fato de uma criança jogar xadrez, onde há presença de regras explícitas, pode ser considerado também por ela como uma brincadeira, ou o fato de brincar de boneca aparentemente sem regras explicitas, possa ser uma reprodução de papéis sociais, pré estabelecidos por ela.

Os pais e educadores devem levar em consideração os seguintes aspectos ao observar a criança ou o jovem brincando:

Ela tem brincado ultimamente? Quanto tempo fica nesta atividade? O que faz com aquela brincadeira?
Brinca sozinha? Brinca com alguém? Brinca em grupo?
O que ela está expressando?
Quais as regras?
Como está brincando?
Criou novas regras?
Permaneceu em regras impostas?
Qual sua reação?
O que aparece neste jogo?
Para que serve este jogo ou brincadeira?
Como cuida dos brinquedos?
Quais os brinquedos prefere?

Na verdade não existem delimitações claras sobre o ato de brincar e jogar e sim uma fusão entre as duas atividades. Quando uma criança não brinca, não se desenvolve, não se aventura em algo novo, desconhecido, isto é muito preocupante. Se a criança brinca está revelando ter aceito o desafio do crescimento, de ter a possibilidade de errar, de tentar a arriscar para progredir e evoluir.

Enquanto pais, educadores e profissionais afins, precisamos ser mais tolerantes com as atividades do cotidiano e criarmos um espaço para o lúdico, para nós também podermos sonhar, fantasiar, brincar.


Bibliografia

Bomtempo, E. aprendizagem e brinquedo em Witter, G.P. e Romeraco, T.F. “Psicologia da Aprendizagem”
Ed. EPU.

Erikson, E.H. Infância e Sociedade”
Ed. Zahar

Huizinga,J. “Homo Ludens – O Jogo como elemento da Cultura”
Ed. Perspectiva

Lebovici e Diatkine, R. “Significado e Função do Brinquedo na Criança”
Ed. Artes Médicas

Oliveira, P. S. “O que é brinquedo ?”
Ed. Brasiliense

Benjamin, N. “Reflexões: A criança, o brinquedo e a educação”
Ed. Summus

Oliveira, V.B. “O símbolo e o brinquedo”
E “Avaliação Psicopedagógica da Criança de 0 a 6 anos”
Ed. Vozes

Piaget, J. “A Formação do Símbolo na Criança”
Ed. Guanabara Koogam

Fernandes, A. “Inteligência Aprisionada”
Ed. Artes Médicas



Quando a gente se encontrar
tudo vai ser t�o perfeito
eu quero te curtir demais
eu vou aliviar esse aperto no meu peito
Que vontade n�o da mais
Se no telefone � bom
Imagine aqui bem perto
Eu sentindo o teu calor
Sem medo de ser feliz, t� com o cora��o aberto
Com voc� eu to esperto
~
J� me acostumei com o seu jeitinho,
de falar no telefone besteirinhas pra me provocar
Quando eu te pegar "c�" ta perdida
vai se arrepender
de um dia ter me tirado do meu lugar
~
Pe�o, por favor, n�o se apaixone
pois n�o sou aquele homem que um dia o seu pai sonhou
~
Eu s� tenho cara de santinho
sempre fa�o com jeitinho
coitada de quem acreditou.
~
Eu prometo te dar carinho
mais gosto de ser sozinho livre pra voar
quem sabe um outro dia a gente possa se encontra de novo prometo te da carinho
mas gosto de ser sozinho livre pra voar
quem sabe um outro dia a gente possa Se encontrar...

Grazi e Thiago

Amar é Amar é uma coisa especial, não é um vem e vai... Amar só acontece uma vez e nunca mais... Amar e quando você pensa onde ele andará... Amar é como um milagre difícil de explicar... Amar é proteger teu corpo das forças do vento... Amar é te abraçar aos poucos e esquecer do tempo... Amar é sempre que te ver sentir um frio por dentro... Amar é viver e perceber teu sentimento... Amar é quando escrevo meu nome no céu dos teus beijos... Amar é quando te ver não acreditar em meus olhos... Amar por minha cabeça e dormir no teu colo... Por amor roubaria uma estrela então eu te daria... Por amor eu cruzaria os mares para te Ter por um dia... Por amor juntaria a chuva com o fogo... Por amor lhe daria a vida mil vezes denovo... Grazi e Thiago essa é para vcs

AS Leis da educação Brasileira

RELATÓRIO

De 1930 a 1960, houve muitos conflitos nesta época Vargas em discussão dos diversos projetos de construção da nação para solucionar problema do país social, econômica e política, onde criou na importância da reprodução da industrialização, objetivo era formar técnicos profissionais visando solucionar problemas urbanos, a população vinha para a cidade trabalhar, também criou o ministério da educação e saúde publica, reforma da sociedade por meio de ensino.
A igreja influenciava a população , tinha domínio, era conservadora e capitalista, tratava os católicos de um esforço político nos costumes formando homens úteis e cocientes, mas tinha conflito entre a igreja e estado sofreu pressão.
Amorosa Lima e outros intelectuais católicos, grupo católicos inspirado retomou e transformou a importância da força política no processo educacional, onde o governo provisório esteve o ensino religioso nas escolas a fé professada pela nação conservadora.
Em 1920 a igreja católica a mobilização no século XIX e no inicio do XX, eram poucos que se manifestavam a consciência das exigências e dos desafios da vida econômica, política e social.
Para a Igreja a educação moral do povo deveria ser competente, colaborando com os costumes formando homens úteis e conscientes, com conhecimento necessários de bons cidadãos, esse projeto era conservador e tradicional.
Mas surgiu uma nova idéia de uma nova pedagogia, nova escola, porque desde a década anterior vinham inspirando as varias reformas estaduais que começarem os debates entre os professores adequados aos novos tempos.
Na defesa de seus interesses lutavam com diferentes proposta em nível de governo de um lado a igreja que teve o seu poder de influenciar a população e pressão do próprio governo, de outro os novos conceitos sobre a educação e seu prestivel como educadores.
Vargas e Campos procuravam conciliar as divergências que manipulavam para o seu proveito nacionalista.
Campos propôs um programa da reconstrução nacional da escola publica leiga obrigatória e gratuito e universal por meio conselho nacional para os dois sexos, reivindicando uma escola para a vida e pela vida.
Em 1935, Mobilização popular ocorria uma forte repressão do estado na tentativa das politizados da sociedade.
Reforma do ensino, ano 1940 da parte do governo nenhuma movimentação significativa para a educação.
Em 1942, o ministro da educação e saúde Gustavo Capanema implantou uma série de reforma como nome de Leis Orgânicas do ensino, foram complementadas por Raul Leitão da Cunha.
Entre 1942 e 1946 foram executados os decretos : Leis Orgânica do Ensino Industrial
-SENAI- Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;
- Ensino comercial de Normal;
- SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial;
- Ensino Agrícola.
Essas leis Orgânicas complementavam o ensino primário e secundário, escolas profissionais e rápidas na preparação para o mercado de trabalho.
Em 1948, reconhecia que o poder público que tinha a tarefa de cuidar da educação brasileira.
Em 1961, a Legislativo brasileiro confirmou e votou numa Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional, um interesse financeiro à rede privada. Nesse em Cuba eram tempo de Guerra Fria, agravada com a vitória de Fidel Castro. O país passava com uma crise econômica, diminuição de capital externo, queda de taxa de lucro e crescimento da inflação.
Crescia a organização de trabalhadores urbanos e rurais e fortalecia a união econômica e na educação .
O movimento da cultura popular , prefeito, governo estadual possuíam dois claros objetivos políticos , por um lado uma alfabetização de adultos para o bem social. O voto do analfabeto agitava o movimento operário.
O ano 1964 João Goulart propôs o planos Nacional de Alfabetização inspirado em Paulo Freire, o objetivo era alfabetizar cinco milhões de brasileiros em 1965.
As reformas de ensino em 1960 a 1970 ocorriam debate em torno da educação vinculou um novo regime de desenvolvimento na formação entre educação e mercado de trabalho mais o capital humano.

EDUCAÇÃO SUPERIOR


No Art. 43. A Educação Superior tem por finalidade estimular a criação de cultura e o desenvolvimento científico do pensamento reflexivo, formar diplomatas nas diferentes áreas do conhecimento, aptos para os setores profissionais para participar no desenvolvimento da sociedade brasileira e colaborar na formação continuada. Despertar no aluno o trabalho de pesquisas científicas, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, difusão da cultura, e desse modo desenvolver o entendimento o entendimento do homem no meio em que vive. Incentivar a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos do patrimônio da humanidade.
É também no Art. 44, que a Educação Superior abrangerá os cursos e programas, como cursos seqüenciais de diferentes níveis de abrangências, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino de graduação abertos a candidatos que tenham concluído o Ensino Médio ou tenham sido classificado em processo seletivo de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros.
Conforme o Art. 45, a Educação Superior será ministrada em instituições de ensino superior públicas ou privada, com variados graus de abrangência ou especialização.
No Art. 46, a autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação.
Na Educação Superior, o ano letivo regular, tem no mínimo duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, incluindo o exame final prova. É obrigatória a freqüência de alunos e professores, salvos nos programas de educação à distância. As instituições de educação superior oferecerão, no período noturno, cursos de graduação, os mesmos padrões de qualidades mantido no período diurno, sendo obrigatório a oferta noturno nas instituições públicas, garantida a necessária previsão orçamentária que está prevista no Art. 47.
O Art. 48, se refere aos diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova de formação recebida por seu titular. Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universidade serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação.
No Art. 49, as instituições e educação superior aceitarão transferência de alunos regulares, para cursos, na hipótese de existência de vagas, e mediante processo seletivo.
Segundo o Art. 53, o exercício de sua autonomia, são asseguradas as universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições: criar, organizar e extinguir em sua sede, cursos e programas de educação superior prevista nesta Lei, obedecendo as normas e fixar os currículos dos seus cursos e programas, estabelecer planos, programas e projetos de pesquisas científicas, fixar o número de vagas, firmar contrato de acordo com os convênios.
É também no Art. 54, as universidades são mantidas pelo poder público, na forma de lei, de estatuto jurídico especial para atender as peculiaridades de sua estrutura organização e financiamento pelo poder publico, assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal.
No exercício da sua autonomia além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior, a universidade publica poderão propor o seu quadro de pessoa docentes técnicas e administrativa, aprovar e executar planos programas e projetos de investimentos referentes as obras , atribuições de qualificação de ensino ou para pesquisas.
No Art.56, as instituições publicas de educação superior obedecerão aos princípios da gestão democrática assegurada a existência de órgão coligados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional.

DECRETO
O Distrito Federa embora apresentado como modelo os estados eram obrigados a adotá-lo.
As Reformas chamadas por Francisco Campos, criou o conselho nacional de Educação.
●O 2º Decreto de 19.851 na mesma data, adotou o regime universitário do Rio de Janeiro;
● 3º Decreto nesta data dispôs sobre a organização da Universidade 19.852 Rio de Janeiro;
● 4º Decreto 19.441 de 30/04/ dispôs também a organização do ensino secundário o 2º grau.
● 5º Decreto Que instituiu o Ensino Religioso como matéria facultativa nas escolas pública do país.
● 6º Decreto 20.158 de 30/06/1931 organizou o ensino comercial e regulamentou a profissão de contador (economista);
● 7º Decreto 21.241 de 14/04/1932 que firmou as disposições sobre a organização do ensino secundário 2º grau.
Nesta Reforma de Francisco Campos exemplificou este decreto 19.852, possuindo trezentos e vinte oito artigo que tudo regulamentava: a escolher do reitor, do diretor, membros do conselhos e suas atribuições que definiu todas as disciplinas.
AS LEIS DE ENSINO
●Lei n° 4.24/61 A educação como dever do estado e da família não faz nenhuma menção à questão da formação continuada dos docentes;
●Lei 4.464/64 – Regulamentou a participação estudantil;
●Lei 4.420/64 – Incrementarão do ensino fundamental;
●Lei 4.440/64 – Institucionalizou o salário educação criando sistema de credito , institui a preocidade semestral , o vestibular eliminatório;
●Lei 5.530/67- Criou o movimento Brasileiro de alfabetização (mobral);
●Lei 5.540/68 – Reformou as normas de organização e funcionamento de ensino superior;
● Lei 5.692/71 Reformou as Diretrizes e Bases para o ensino do 1º e 2º grau. ( Mudanças na modalidade educacional estruturas do ensino assegurado os docentes na qualificação na formação continuada;
● Lei 7.044/82- Alteraram dispositivos da lei 5.692, referentes à profissionalização no ensino de 2º grau;
● Lei 4.048/42 - Lei orgânica do ensino Industrial;
● Lei 4.073/42 – Cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI);
● Lei 6.141/43 – Lei Orgânica do Ensino Comercial;
● Lei 8.529 e 8.530/46 Lei orgânica do Ensino Primário e Normal, respectivamente;
● Lei 8.621 e 8.622/46 Lei cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC);
● Lei 9.613/46 – Lei Orgânica do Ensino Agrícola.

Em 1950 a organização APAE foi fundada nos Estados Unidos e em 1954 no dia 11 de dezembro foi fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepsionais -APAE do Rio de Janeiro, teve seu primeiro presidente que foi Almirante Henry Broadaent Hoyer com apoio do governo federal, através do Presidente Castelo Branco, foi adquirido um prédio na rua Bom Pastor que é a sede da APAE.
Em 1956 surgiram as APAES de São de São Lourenço, Goiânia, Niterói, Jundiaí, João Pessoa e Caxias do Sul, conta-se hoje com mais de mil entidades associadas. E em 1961 surge a APAE de São Paulo com entidade particular assistencial de natureza civil sem fins lucrativos.



BIBLIOTECA E SUA ORIGEM

O sentido dado ao termo biblioteca variou no decorrer do tempo, devido à mudança de função dela e ao tipo de material do qual ela é depósito. Por conseguinte, torna-se necessário tratar dessa conceituação, assim como distinguir os tipos e as espécies de biblioteca, que também sofrerão variação. Continuamos com um breve relato da existência de bibliotecas no curso histórico, apontando as principais bibliotecas da Antiguidade e da Idade Média.
No dicionário Aurélio (1986), biblioteca significa coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres, organizada para o estudo, leitura e consulta.
Cunha (1997) também confirma que a palavra biblioteca em português se origina do latim, que, por sua vez, deriva dos radicais gregos e biblio e teca, cujos significados sã, respectivamente, livro e coleção ou depósito. Martins, resume, enfim, etimologicamente, a palavra como depósito de livros.
A biblioteca, no seu sentido, refere-se também à grande variedade de coleções bibliográficas e aos diferentes fins e usuários.
As bibliotecas de conservação se referem às nacionais e às especializadas por guardarem livros, manuscritos e outros documentos raros e/ ou acessíveis apenas a especialistas. As bibliotecas de consumo são aquelas públicas, abertas a todos os leitores e destinados à leitura comum.
A biblioteca foi assim, desde os seus primeiros dias até aos fins da Idade Média, o que o seu nome indica etimologicamente, isto é, um depósito de livros. No século IV d. C. apareceu o codex, ou seja, o uso das duas faces do pergaminho, em formato moderno do livro. Esse novo aspecto exigiu novos móveis, sobre os quais os livros ficavam deitados e às vezes acorrentados.
Em relação às bibliotecas, a mais antiga foi de Alexandria, que reunia a maior coleção de manuscritos do mundo antigo, cerca de 500.000 volumes. Ela foi fundada por Ptolomeu I Sóter, rei do Egito, e os eruditos.

O LIVRO
Na Idade Média o livro sofre um pouco, na Europa, as conseqüências do excessivo fervor religioso, e passa a ser considerados em si como um objeto de salvação.
O livro continua sua evolução com o aparecimento de margens e páginas em branco. Também surge a pontuação no texto, bem como o uso de letras maiúsculas. Também aparecem índices, sumários e resumos, e na categoria de gêneros, além do didático, aparecem os florilégios (coletâneas de vários autores), os textos auxiliares e os textos eróticos. Progressivamente aparecem livros em língua vernacular, rompendo com o monopólio do latim na literatura. O papel passa a substituir o pergaminho.



A PRODUÇÃO DO LIVRO
A criação do conteúdo de um livro pode ser realizada tanto por um autor sozinho quanto por uma equipe de colaboradores, pesquisadores, co-autores e ilustradores. Tendo o manuscrito terminado, inicia a busca de uma editora que se interesse pela publicação da obra ( caso não tenha sido encomendada). O autor oferece ao editor os direitos de reprodução industrial do manuscrito, cabendo a ele a publicação do manuscrito em livro.
A fase de produção do livro é composta pela impressão (posterior à imposição e montagem em cadernos – hoje em dia digital ), alceamento e o encapamento.

CULTURA POLÍTICA PARTICIPATIVA E DESCONSOLIDAÇÃO DEMOCRÁTICA.
Ditas conservadores vem se mantendo no poder. Estruturou o processo social, voltado na área das exportações, por meio dos coronéis. E a participação política eles determinavam relações conservadoras fortes.
A cosciência patriarcal influe as mulheres em maioria, manter a educação, esse processo vem se repetindo e transformando com pequenas mudanças, controlados por grupos em governo, família, escola, etc.
Em 1970 os partidos ARENA E PMDB e em 1980 surge outras siglas de partidos. Houve uma proposta mais aberta e foram se abrindo mais.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), foi criado em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, visando organizar a economia, sendo que tanto a primeira quanto a segunda Guerra Mundial foi uma conseguência da disputa entre os países capitalistas.
- O FMI trabalha por uma cooperação monetária federal, assegurando estabilidade financeira.
- O Brasil é membro do FMI, e segue o ajustamento interno com as exigências
- Gastar menos do que se arrecada para os pagamentos de juros.
- Não estabelecer limite mínimo ou máximo para a cotação do real em relação ao dólar;
- Praticar política flexível de taxas internacionais e das estabilidades de preços.
- Adaptar mecanismo para a sinalização da taxa de juros;
- O Banco mundial foi fundado em 1º de agosto de 1944, reduzindo a pobreza e promovendo o desenvolvimento social e econômico.
As cinco instalações relacionadas com o banco mundial são:BIRD, AID, IFC, AMGI, CIADI.
- O Banco Mundial vem fornecendo o uso de 1,8 bilhões a 20 bilhões por ano para os países em desenvolvimento, entre empréstimos e doações;
- O Brasil é um dos maiores tomadores de empréstimos do banco mundial.

SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA MENTAL: UM PASSO PARA À INCLUSÃO SOCIAL

SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA MENTAL: UM PASSO PARA À INCLUSÃO SOCIAL
Sumiko Oki Shimono 1
Renato Barboza2
Ao longo da história, a sociedade vem passando por profundas transformações no que se refere a padrões de comportamento sexual.
A liberação dos costumes, o controle da natalidade, o movimento feminista, a propagação da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, vem derrubando uma série de mitos, tabus e preconceitos.
Na educação a sexualidade ainda representa um tema complexo, que exige uma postura e análise crítica contínua, pois consideramos que o ser humano está sempre em constante adaptação, buscando novas condutas, estabelecendo novos valores, construindo novas realidades sociais.
Inclusão: um Novo Paradigma
A política de privilégios adotada no decorrer dos anos, transformou uma parcela considerável de pessoas com deficiência em dependentes, dificultando sua inclusão na sociedade. Os novos paradigmas ressaltam a importância do desenvolvimento das capacidades, das potencialidades e do meio social, pressupondo diferentes níveis de apoio a pessoa.
As idéias referentes à Inclusão têm sido difundidas há vários anos. Entre os campos institucionais que mais acumularam experiência e conhecimento nesses anos, destaca-se a área educacional. Segundo, Romeu Sassaki, em artigo publicado na Revista Nacional de Reabilitação, a história da educação de pessoas com deficiências, pode ser compreendida em quatro fases, a saber:
• A primeira, anterior ao século XX, marcada pela "exclusão" das pessoas com deficiências aos sistemas escolares;
• A segunda, até os anos 50, caracterizada pela "segregação", atendendo os deficientes em grandes instituições. A partir dos anos 60, através de movimentos de pais, surgem as escolas especiais e posteriormente as classes especiais, dentro das unidades escolares;
• A terceira, a partir dos anos 70, é denominada "integração", marcada por mudanças que proporcionaram a aceitação de deficientes em classes especiais preparatórias e posterior inserção em classes comuns, porém integrando apenas os que se adaptavam ao sistema de ensino estabelecido para maioria;
• A quarta fase, de "inclusão", a partir de 1985, aperfeiçoada na década de 90, tem como premissa a adaptação da escola às necessidades dos alunos, através de um sistema educacional que busca a qualidade para alunos com ou sem deficiências, respeitando a diversidade.
1 Sumiko Oki Shimono é psicóloga clínica e educacional com especialização em Educação Inclusiva na área de deficiência mental
2 Renato Barboza é sociólogo com especialização em Coordenação de Grupos Operativos e Saúde Pública
O desenvolvimento de práticas de Inclusão das pessoas com deficiência mental, é cada vez mais debatido e discutido entre instituições, profissionais, pais, os próprios deficientes, envolvendo também diversos setores da sociedade. Tornou-se necessário preparar o deficiente para a vida em sociedade e a própria comunidade para o convívio com essas pessoas, reconhecendo-as como cidadãos atuantes e sujeitos de direitos sociais.
Esses novos paradigmas valorizam a pessoa deficiente e enfocam a necessidade da criação ou modificação do meio social, visando uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas e consequentemente facilitando o exercício da cidadania. É o novo olhar sobre a deficiência.
O movimento da Inclusão na escola está fundamentado em princípios norteadores, tais como: a aceitação das diferenças individuais como ponto positivo; a valorização da diversidade humana; o direito de pertença; a aprendizagem cooperativa; o reconhecimento das minorias sociais e a busca da qualidade de vida, através do exercício da cidadania.
É importante enfatizar que em 1994, foi realizada a “Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Equidade”, em Salamanca na Espanha, contando com a participação de 92 países e 25 Organizações Internacionais que ratificaram a “Declaração de Salamanca”, que estabelece linhas de ação para garantir a Educação Inclusiva para todos.
A promoção da Inclusão em nosso meio ainda precisa vencer vários desafios. Entre esses, destacamos o desenvolvimento de leis e condições políticas orientadas para esse novo olhar; a reflexão crítica sobre o papel, função social e práticas pedagógicas das diferentes instituições que atendem à população com deficiência mental e população em geral; e a implantação e/ou implementação de programas, projetos e serviços com metodologias inovadoras e ousadas, que proporcionem o desenvolvimento integral das potencialidades da pessoa com deficiência mental e sua adaptação3 à sociedade.
Protagonismo na Deficiência Mental: um Desafio
Nas últimas décadas em vários países, as pessoas com deficiência mental vem se organizando através de conselhos, comitês, órgãos representativos, entre outros grupos para o desenvolvimento de ações fundamentadas no protagonismo, ou seja, desempenhando o papel de “lutador principal” ou “personagem/ator principal” de reivindicações em movimentos organizados.
Participam ativamente e solidariamente com seus pares, identificando problemas, propondo soluções e se envolvendo no processo de resolução. Trata-se de um grande avanço, pois as pessoas com deficiência passam a ter voz, vez e até voto para tomada de decisões sobre temas importantes para suas próprias vidas.
3 Adaptação segundo o conceito proposto por Pichon-Rivière, está relacionada a capacidade de desenvolvimento de indivíduos e grupos para uma "adaptação ativa à realidade social", ou seja, através de processos dialéticos de interação, vinculação e relacionamentos sociais, o indivíduo/sujeito, transforma seu meio e ao mesmo tempo também é modificado pelo contexto onde está inserido. Esse processo é contínuo, desenvolvendo-se não de forma linear, mas sim espiralada e dialética. Para Pichon, a adaptação ativa é sinônimo de promoção de saúde mental. Quanto aos grupos, podemos observar esse aspecto, constatando-se o nível de consciência sobre a estrutura, dinâmica, e operatividade, que interferem positivamente na capacidade de comunicação e aprendizagem de seus integrantes.
“Pessoas Primeiro” (people first4) é um grande exemplo dessas idéias. É uma organização internacional de pessoas com deficiência que atuam para autodefesa e promoção da Inclusão social.
Em nossa realidade o atendimento às pessoas com deficiência mental ainda é marcado pelo modelo hegemônico das instituições especializadas, que tem como característica a prática assistencialista, dificultando o processo de Inclusão e o desenvolvimento de ações na linha do protagonismo.
O direito de fazer escolhas dessas pessoas, muitas vezes também é dificultado pela superproteção de pais e familiares que sentem a necessidade de protegê-los da rejeição e dos fracassos inerentes às relações humanas. Por outro lado, quando estão convivendo com seus pares e com outros segmentos da comunidade, ampliam sua percepção sobre a deficiência, sobre o mundo e experimentam diversas formas de adaptação e superação de dificuldades.
As oportunidades para exercitar decisões, escolhas e principalmente as conquistas, fortalecem posturas autônomas, interferindo positivamente no auto cuidado e auto estima das pessoas com deficiência mental.
Compreendendo a Sexualidade
Em primeiro lugar convém fazermos uma distinção entre sexo e sexualidade. A sexualidade humana não pode ser reduzida a sua função reprodutiva, de procriação, mas sim deve ser considerada como parte integrante da identidade de uma pessoa, envolvendo portanto uma dimensão afetiva como também social e cultural. Além da sua natureza biológica ela exerce uma função de prazer, refletindo sentimentos, emoções, valores e um sentido de intimidade.
É comum pensar na sexualidade apenas em sua fase genital de reprodução, porém basta lembrarmos das manifestações da criança para constatarmos um processo de desenvolvimento, pois desde a infância as experiências de sexualidade já são sentidas e vivência das até o período da adolescência, onde as grandes transformações físicas e psicológicas estarão preparando o jovem para vida adulta.
O desenvolvimento da sexualidade envolve não só a maturação biológica das funções sexuais, como também as modificações comportamentais, ou seja, implica em uma compreensão intelectual dessas mudanças e das reações emocionais decorrentes, modificando-se as experiências afetivas. Há um processo de identificação com padrões de conduta sexual, social que são culturalmente determinados.
Sexualidade e Deficiência Mental
Nesse caso enfrentamos um duplo preconceito: a própria deficiência em primeiro lugar e em segundo a aceitação da sexualidade da pessoa com deficiência mental. A compreensão da deficiência mental como um rebaixamento intelectual que gera limitações no desenvolvimento de sua maturidade emocional e social, mantém a pessoa com deficiência mental em seu “status” infantilizado. Vista como a “eterna criança” negamos
4 Segundo documento traduzido pela APAE/SP em julho de 1999, (...) é um processo de grupos de pares, permitindo que as pessoas deficientes aprendam a falar por elas próprias, escutar o que os outros dizem, tomar decisões, solucionar problemas e em última análise, desenvolver habilidades de liderança.
sua sexualidade, ou consideramos suas manifestações como patológicas, reforçando os mitos de que são “seres assexuados” ou “agressivos sexualmente “ ou “hipersexuados”.
Falar da sexualidade na deficiência mental exige uma nova postura diante dessa pessoa, e uma mudança de paradigmas sob a perspectiva atual da Inclusão social. Um novo olhar voltado para suas potencialidades resgata o seu direito de ser, de não viver mais excluída das relações sociais, e garante sua vivência plena como pessoa e cidadão. Além dessa reflexão ética para compreender a sexualidade da pessoa com deficiência mental é necessário também um conhecimento de suas peculiaridades, necessidades, características e uma atitude de respeito à diversidade.
Em relação ao aspecto biológico, os estudos citados por Gherpelli, indicam que a estrutura límbica do sistema nervoso está preservada na pessoa com deficiência mental, e sua constituição anatômica, processos biológicos, desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários, produção hormonal masculina e feminina, menarca ou semenarca, além dos impulsos biológicos, acontecem como em qualquer ser humano. A mesma autora ainda cita que na ocorrência de síndromes podem haver diferenças, como é o caso da Síndrome de Down, onde a função reprodutiva encontra-se alterada em ambos os sexos. No sexo masculino a infertilidade é conseqüência de uma quantidade reduzida ou ausência de espermatozóides, e no sexo feminino a fertilidade é diminuída ou por não apresentar sinais de ovulação ou por ocorrer uma variação na mesma.
Com certeza a grande diferença da sexualidade entre pessoas com ou sem deficiência mental decorre da diferença de condições cognitivas e adaptativas que determinam a capacidade do indivíduo de assimilar, compreender, e elaborar códigos sociais para o ajustamento social e emocional de seu comportamento sexual. O quadro abaixo nos dá uma orientação quanto ao desenvolvimento sexual nos diversos níveis da deficiência mental.
Características da sexualidade segundo o nível de deficiência mental
Profundo
Severo
Moderado
Leve
IM* abaixo de 2 anos
IM* entre 2 e 4 anos
IM* entre 4 e 6 anos
IM* entre 7 e 12 anos
Pouca adaptação dependência
Dificuldade de viver a própria sexualidade
Mudanças biológicas
Sensação de impulsos sexuais
adaptação atinge alguma autonomia
semi- dependência
maior consciência de si mesmo
melhor conhecimento de seu corpo porém sem diferenciação sexual
autonomia para cuidados pessoais
noção de intimidade de si e do outro
maior diferenciação entre papel masculino e feminino
busca de contato na puberdade
total independência pessoal
boas condições de convivência social
relacionamento interpessoal mais estável
consciência de seu desenvolvimento sexual
Dificuldade de higiene pessoal
Impossibilidade de relação sexual
Impossibilidade de vida reprodutiva (exceto como vítima)
Contato físico (sensação autoprazeirosa)
Impossibilidade de orientação sexual
masturbação freqüente
manutenção de contatos íntimos entre si
impossibilidade de relacionamento sexual
limitação para orientação sexual
dificuldade para uma maior consciência de uma relação sexual e reprodução
jogos sexuais de exploração
orientação sexual indicada
eleição de seus parceiros
relações sexuais presentes
decisão de iniciar vida reprodutiva
orientação sexual indicada
(baseado em Gherpelli, 1995)
*IM (Idade Mental)
A Família e a Sexualidade da Pessoa com Deficiência Mental
Comumente a preocupação da família com a sexualidade inicia-se frente ao comportamento de masturbação da criança mais ou menos aos 4 anos. Essa manipulação surge exatamente como seria esperado para uma população normal. A diferença está na adequação ou não dessa manifestação que pode vir a caracterizar um distúrbio pela dificuldade da família em lidar com esse impulso. Por exemplo, um comportamento excessivo de masturbação pode resultar em lesões nos órgãos genitais por falta de uma orientação educacional, assim como a ausência de normas, limites e regras podem conduzir a um comportamento sexual exibicionista.
A família enfrenta muita ansiedade para lidar com a sexualidade de seu filho com deficiência mental, preferindo deixá-lo em seu “status” infantil, recebendo com surpresa e temor as manifestações sexuais. Não sendo ele um “adulto” como irá vivenciar sua própria sexualidade e a de outro? Talvez de modo imprevisível ou descontrolado, o que gera mecanismos de repressão ou de negação.
Assim é fundamental o aconselhamento aos pais em programas de orientação sexual. Os objetivos frente à família são:
• trabalhar o medo e a ansiedade dos pais quanto ao futuro sexual dos filhos;
• esclarecer sobre a variação das condições e manifestações sexuais;
• orientar sobre os limites para a adaptação do comportamento sexual;
• diminuir o preconceito e incentivar a comunicação dos pais quanto à sexualidade;
• auxiliar na compreensão da sexualidade como um direito à saúde sexual.
Aspectos Legais
Os aspectos legais relacionados à sexualidade da pessoa com deficiência mental, constituem um assunto controvertido, pois envolve questões éticas, sociais e culturais, devendo ainda ocorrer um amplo debate entre pais, profissionais e a sociedade em geral.
Em nossa realidade, um tema importante para discussão é a interdição que situa radicalmente a pessoa com deficiência mental à margem do convívio social negando-lhe o direito de exercício de sua cidadania.
Outro aspecto polêmico é a questão do casamento e o direito à reprodução. Embora autores estrangeiros indiquem experiências bem sucedidas de casamento, estudos brasileiros mostram que a experiência é negativa por haver uma relação instável rompida precocemente sem condição dos pais cuidarem da prole, que se encontravam sob a responsabilidade dos avós (Assumpção, 1993).
Os profissionais alertam para a necessidade de supervisão da união entre pessoas com deficiência mental e de procedimento de esterilização. O controle da natalidade deve ser considerado como importante alternativa. Pergunta-se quem o fará uma vez que a pessoa com deficiência mental nem sempre está em condições de assumir tal decisão. Os direitos reprodutivos implicam na discussão da paternidade responsável.
Nos EUA durante muitos anos houve uma esterilização maciça de pessoas com deficiência mental, entre 10 a 18 anos. Houveram casos freqüentes de histerectomia completas, onde até a menstruação foi um aspecto resolvido dessa forma. Essa política não foi monitorada e não se deu atenção às mulheres quanto ao tratamento hormonal. Atualmente, fala-se em controle de natalalidade com a exigência legal do consentimento informado. É uma legislação que procura assegurar o direito de participação da pessoa deficiente quanto a escolha, a hora, o lugar e o método, inclusive de esterilização, bem como a recusa do procedimento.
Educação e Orientação Sexual
É importante distinguir a educação da orientação sexual. A educação sexual abrange toda e qualquer fonte de informação e formação incluindo valores, crenças, atitudes, da família e do ambiente, além das mensagens que são veiculadas pelos meios de comunicação. Já a orientação sexual é a sistematização desse processo formativo, através de um espaço de reflexão e crítica.
O programa de orientação sexual tem como objetivo geral o desenvolvimento saudável da sexualidade. Seu caráter preventivo, diminui riscos à saúde e promove o bem estar da pessoa. O conteúdo não deve se restringir aos aspectos informativos de natureza biológica, mas principalmente aos aspectos relacionais envolvidos na busca de uma identidade sexual, trabalhando a ansiedade e o conflito gerados.
Deve-se oportunizar espaços para trocas e discussões, onde os educandos possam expressar livremente suas idéias, valores, dúvidas e inseguranças sobre a sexualidade no seu cotidiano.
Na deficiência mental sabemos que quanto maior o grau, maior será a dificuldade para a pessoa compreender as funções sexuais, de regular e controlar seus impulsos e relacionar-se com o meio de maneira adequada. Por isso o programa de orientação sexual deve ser bem claro quanto aos objetivos comportamentais.
Acreditamos que o conteúdo deva abranger basicamente:
• informações quanto a aspectos biológicos (corpo humano, higiene, órgãos sexuais e suas funções , menstruação, gravidez, métodos anticoncepcionais, doenças sexualmente transmissíveis/AIDS).
• orientações quanto ao comportamento adaptativo (padrão sócio-cultural) regras e limites da conduta sexual, masturbação, namoro, fantasias, erotismo, expectativas e frustrações.
O perfil do Orientador
É fundamental no orientador o respeito e a aceitação da pessoa com deficiência mental e de sua sexualidade. Porém não é fácil lidar com nossa ambivalência e aceitar o direito dessa pessoa vir a se tornar um adulto, respeitar o seu tempo, suas peculiaridades, as diferenças individuais, e ao mesmo tempo tolerar a angústia de senti-la em risco.
Outro aspecto importante é estabelecer uma relação de afetividade e de confiança, ou seja, uma relação de continência às dúvidas, curiosidades e ansiedades da criança ou adolescente.
Logicamente espera-se também como condição básica, que o orientador sinta-se à vontade nessa tarefa, que tenha tranqüilidade e disponibilidade interna.
O Papel da Escola
Incluir o tema sexualidade na educação representa ainda uma tarefa complexa. Na área da Educação Especial, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Nº 9.394 de 20/12/96, capítulo V - artigo 59, afirma que “os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I- currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades”.
É importante ressaltar que esta Lei do Ministério de Educação e Cultura, prevê que as instituições responsáveis pela formação dos educandos, deverão elaborar projeto político-pedagógico, a partir de diagnósticos que contemplem as demandas da comunidade. Do ponto de vista pedagógico, institui os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), resgatando a coerência da abordagem integrada, através da inserção de "Temas Transversais" como ética, educação para saúde, pluralidade cultural, meio ambiente e orientação sexual, permeando as diversas áreas do conhecimento e da vivência escolar.
A escola deve ser conscientizada da importância de seu papel educativo, diante das dificuldades que os pais demonstram para tratar do assunto em casa, e também pelo crescente número de casos de gravidez precoce e a expansão da AIDS e de outras DSTs, fatores que aumentam a vulnerabilidade dos nossos jovens.
Na área da deficiência mental os programas de orientação sexual vem sendo implantados gradativamente, enfrentando fortes preconceitos sejam dos pais como também dos profissionais.
Em relação ao tema da sexualidade, a Instituição enquanto formadora de sujeitos integrais, precisa refletir sobre suas práticas pedagógicas e de promoção de saúde. É necessário um investimento contínuo na capacitação e supervisão técnica dos profissionais, instrumentalizando-os para o planejamento e desenvolvimento de programas e projetos de educação e orientação sexual para pessoas com deficiência mental. Muitas Instituições
responsáveis pela atenção para esta clientela, ainda a consideram "assexuada", tendo grandes dificuldades em lidar objetivamente com essas demandas no cotidiano.
A Instituição pode ser um polo acolhedor de todas essas demandas, trabalhando-as e transformando-as em ações de promoção e prevenção. Para tanto, é fundamental o envolvimento de todos os componentes da equipe (dirigentes, coordenadores, técnicos, pessoal de apoio e pais), promovendo a convivência, tolerância e aceitação desses aspectos que fazem parte do desenvolvimento de qualquer ser humano.
Bibliografia
Assumpção Junior, F.B. e Sprovieri, M. H. Deficiência Mental, família e sexualidade. São
Paulo: Menon, 1993.
Cadernos Juventude, Saúde e Desenvolvimento – Ministério da Saúde – Secretaria de
Políticas de Saúde – Vol. 1 - 1999
Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais -
tradução: Edilson Alkmim da Cunha - 2ª ed. - Brasília: CORDE, 1997.
Evangelista, L.M.C., Amaral, M.E.P., Shimono, S.O., Patrício, Y.C., Barboza, R. Política
da APAE/SP para Ações de Formação e Desenvolvimento na Área de Sexualidade e
Deficiência Mental - 1999 (relatório final)
Guerpelli, M.H.B.V. Diferente mas não desigual. A sexualidade do deficiente mental. São
Paulo: Editora Gente, 1995.
Liga Internacional de Pessoas com Deficiência Mental. As crenças, valores e princípios de
auto-defesa, Brusseels, 1994 (relatório final)
Ministério da Educação e Cultura - Parâmetros Curriculares Nacionais - Vol. 7
Pichon-Riviére, E. O Processo Grupal. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Quiroga, A.P. Matrices de Aprendizaje. Constitucion del Sujeto en el Proceso de
Cococimiento. Buenos Aires: Ediciones Cinco, 1997.
Revista Gente Especial – Ano I – Nº 1 – Maio/1998
Revista Nacional de Reabilitação – Fevereiro/1998
Secretariado para a Auto-Advocacia - Plano Estratégico 1996-98, 1995 (relatório final)
Werneck, Claudia. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro:
WVA, 1997.

A Educação Preventiva em Sexualidade na Adolescência

Maria Helena Brandão Vilela Gherpelli,
A Educação Preventiva em Sexualidade na Adolescência
Sexualidade: Uma Abordagem Mais Ampla
Quando se fala de sexualidade, pressupõe-se falar de intimidade, uma vez que ela está
estreitamente ligada às relações afetivas. A sexualidade é um atributo de qualquer ser
humano. Mas para ser compreendida, não se pode separá-la do indivíduo como um
todo. Ela é parte integrante e intercomunicante de uma pessoa consigo mesma e para
com as outras. Portanto, é muito mais do que simplesmente ter um corpo
desenvolvido ou em desenvolvimento, apto para procriar e apresentar desejos sexuais.
Trata-se, também, de uma forma peculiar que cada indivíduo desenvolve e estabelece,
para viver suas relações pessoais e interpessoais a partir de seu papel sexual. Daí
podermos afirmar que a sexualidade é um instrumento relacional importante, embora
não seja o único.
Nos últimos vinte anos tem-se falado muito no assunto. Criaram-se diversas teorias,
realizaram-se vários estudos, e o tema conquistou um espaço fantástico nos jornais e
revistas. No entanto, toda esta publicidade ocasiona, muitas vezes, uma idealização da
vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver
plenamente a sexualidade, um padrão sexual, um modelo estruturado ao qual todos
os indivíduos devem se adaptar. E, desse modo, inverte-se o ritmo natural das coisas.
A sexualidade existe para servir ao indivíduo e não o contrário, o indivíduo para viver
a serviço da sexualidade. Até parece que ela é o seu objetivo de vida e não uma
conseqüência natural de seu desenvolvimento como ser humano.
A nossa cultura tem uma tendência de reduzir a sexualidade a sua função reprodutiva
e genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e emoções decorrentes do
processo educacional e vivencial do indivíduo na vida sexual. O fato é que cada um
pode viver muito bem, e plenamente, de acordo com o que suas circunstâncias lhe
permitem.
1 Enfermeira-obstetra e de saúde pública com formação em Psicodrama; coordenadora
geral e da área de Adolescência do instituto Kaplan - Centro de Estudos da
Sexualidade.
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Sem dúvida, as pessoas que puderam ter mais experiências de vida e ampliar seus
conhecimentos, alcançaram maior riqueza em suas relações. Mas isso não significa
que sejam mais ou menos felizes sexualmente do que outras que não tiveram as
mesmas oportunidades.
Os três pilares da sexualidade
Vista como um instrumento relacional importante, a sexualidade fundamenta-se no
aspecto biopsicossocial de cada indivíduo. Assim, ela é construída a partir de três
elementos primordiais: o potencial biológico, o processo de socialização e a capacidade
psicoemocional. O saldo da dinâmica entre esses pilares é inevitavelmente de conflitos.
Para entender a natureza desses conflitos, é preciso terem mente que existem duas
forças antagónicas: de um lado, temos a necessidade sexual básica, cujos mecanismos
fisiológicos de resolução nem sempre coincidem com as normas vigentes em nossa
cultura. De outro lado, há o fato de que, como seres sociais que somos, temos de nos
adaptar às regras de convivência.
Duas estruturas mentais importantes nos ajudam a administrar esses conflitos: o
funcionamento intelectual e a capacidade adaptativa, ambos responsáveis pela
aprendizagem dos códigos de comportamento social e pela incorporação dos valores
embutidos nesses códigos. Além disso, possibilitam ao ser humano a utilização de
mecanismos compensatórios que favorecem e estimulam a adaptação, tais como 0
lazer, as relações sociais, o investimento pessoal e profissional e, sobretudo, as
experiências com relacionamentos afetivos, que nos permitem usufruir de uma
sexualidade mais ampla.
A sexualidade não é um fato isolado, mas é moldada e expressa concretamente nas
relações que o sujeito estabelece, desde a mais tenra idade, consigo mesmo e com os
outros.
A Adolescência
Um indivíduo com o corpo na puberdade e a mente descobrindo o pensamento- este é
o adolescente. Nessa idade, duas coisas acontecem simultaneamente e ocupam quase
todo o espaço psíquico: a descoberta da capacidade de pensar e a sexualidade
focalizada nos genitais.
Na puberdade, o corpo infantil se transforma num corpo adulto. Seu início não tem
dia nem hora marcados. Pode começar aos oito anos apenas ou aos quinze, por
exemplo. Cada pessoa tem o seu tempo e desenvolve as diversas partes do organismo
de forma individual e progressiva. Portanto, é quase impossível determinar com
exatidão o início da puberdade.
O importante é observar que as modificações corporais ocorrem gradualmente,
passando por três estágios biológicos bem marcados: o pré-puberal, quando surgem
as primeiras modificações corporais; o puberal, quando essas mudanças do organismo
colocam em ação a capacidade reprodutiva, isto é, as meninas passam a amadurecer
seus óvulos e os meninos, a produzir espermatozóides; e o pós-puberal, no qual os
órgãos funcionam como num adulto e adquirem os caracteres sexuais secundários.
62
Quando a criança entra na puberdade, uma série de alterações ativadas pela
hipófise ocorre gradativamente no corpo. Localizada no cérebro, essa glândula é a
responsável pela produção dos hormônios sexuais que colocam em atividade os
ovários e os testículos. Na mulher, os principais são o estrógeno e a progesterona e, no
homem, a testosterona.
A primeira modificação aparente da puberdade é o aumento do tamanho dos seios,
nas meninas, e o do pênis e dos testículos, nos meninos. Ambos crescem em altura,
aumentam sua estrutura muscular, alteram o tom da voz e começam a apresentar
pêlos nas axilas e ao redor dos órgãos sexuais. Nos rapazes surgirão, ainda, barba e
bigode. Uma das características deste período é o aparecimento de acne (espinhas).
Por ação dos hormônios, o organismo começa a fabricar uma quantidade maior de
ácidos graxos (gordura), que favorece a formação de uma capa lubrificante na pele.
Quando os hormônios sexuais atingem um nível específico, acontece o marco mais
importante desta fase: a primeira menstruação para as garotas (menarca) e o início da
produção de sêmen para os garotos (semenarca).
Há uma razão clara para o fato de a mulher "ser um bicho esquisito que todo mês
sangra": seu corpo possui agora todos os elementos básicos necessários para ela gerar
um bebê. Mas existe uma diferença muito grande entre estar biologicamente
habilitada para ter um bebé e "ser mãe".
No menino, a primeira ejaculação costuma ocorrer enquanto está dormindo. É a
chamada polução noturna, um mecanismo do qual o organismo se utiliza para
esvaziar a ampola que armazena o sêmen e dar lugar para novos espermatozóides.
Este acontecimento independe da vontade do garoto. Às vezes, por falta de informação
sobre esse episódio, ele corre o risco de confundi-lo com a eliminação de urina. A
produção de sêmen é o indício de que o rapaz possui agora a capacidade para a
reprodução. Daí a ser pai, é uma outra história.
Neste período repleto de transformações, os adolescentes costumam se dar conta,
também, do principal atributo sexual, que é a capacidade orgásmica, isto é, a
possibilidade de erotização e de obtenção de prazer através do sexo. Esta descoberta,
associada aos estímulos hormonais e à aquisição do pensamento abstrato, capacita o
adolescente a especular e abstrair no campo da sexualidade. E, assim, ele percebe os
impulsos sexuais, pratica atividades sexuais, como a masturbação, treina seu papel
sexual, sonha com as pessoas-alvo de seu desejo e com o que lhe dá prazer, para, no
futuro, usufruir da sexualidade de forma mais ampla e com a perspectiva de
envolvimento amoroso.
A adolescência possui aspectos específicos, com relação às idades. Um garoto de doze
anos, por exemplo, não tem o mesmo comportamento e interesse ante a sexualidade
que outro de quinze anos.
Dez a doze anos
É o início da aquisição do pensamento abstrato que vai coexistir com o pensamento
concreto. Este fato desencadeia no adolescente a formulação de hipóteses que muitas
vezes são vividas como verdades e determinantes de seu comportamento. É uma fase
de comportamentos claramente ambíguos: ora infantil, ora adulto. É o período das
novidades
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e mudanças físicas mais acentuadas. Portanto, existe uma grande expectativa do
adolescente desta faixa etária no que se refere a estas mudanças, às funções sexuais e
reprodutivas e à forma como tudo isto repercute em suas relações familiares e sociais.
Treze a catorze anos
O adolescente, nesta faixa etária, tem maior probabilidade de procurar se desfazer dos
conceitos adquiridos no meio familiar e sair à procura de novos conceitos. É um
período no qual ele se encontra bastante vulnerável. Diante de situações novas,
defende-se muitas vezes por meio dos mecanismos mais primitivos de defesa: a
oposição e a agressão. Os meninos, de uma forma geral, tornam-se bravos,
mal-humorados, contestadores, insatisfeitos, impulsivos etc. Produzem
espermatozóides e a masturbação é uma atividade praticada com muita freqüência. Já
as meninas vão brigar por seu ponto de vista e por aquilo que consideram justiça.
Defendem a amiga com "unhas e dentes", falam mais que os meninos, choram com
facilidade e adoram escrever bilhetinhos de amor que, muitas vezes, não chegam às
mãos do destinatário. É um período ingrato ante o modelo de beleza atual, pois elas
podem engordar mais do que crescer (cf. TIBA, 1994).
Quinze a dezesseis anos
É a fase dos meninos que Içami TIBA (1994) chama de mutação. Segundo o autor,
esse momento marca o fim do estirão e deixa os adolescentes com um aspecto feio.
Ocorre um crescimento rápido das partes cartilaginosas do rosto (nariz, orelhas,
pomo-de-adão), que provoca uma desproporção em relação à parte óssea. A pele
seborréica, suada e cheia de espinhas, e a voz que engrossa descontroladamente
contribuem para caracterizar esta fase como "a idade do sapo".
Dezesseis anos em diante
É o momento de aproveitar e desfrutar da adolescência. A energia vital e sexual é
grande, há uma tendência ao egocentrismo e à vida em grupo, isto é, a turma adquire
uma dimensão mais ampla e de importância fundamental em sua vida. Tanto que se
pode dizer que há algo de errado com os que não têm amigos do lado. O grupo, agora,
reúne pessoas de ambos os sexos e reina uma grande cumplicidade entre os membros.
Dita a moda, a música, o comportamento e até a linguagem. Um exemplo
característico é a hora da saída de uma escola que não obriga os alunos a usarem
uniforme: se observarmos, iremos perceber que todos se vestem do mesmo jeito,
inclusive nas preferências por cores e griffes. Estão uniformizados de adolescentes.
Embora falar em cumprimento de regras sociais na adolescência possa parecer um
paradoxo, o grupo possui normas implícitas que precisam ser seguidas para a
aceitação dos membros. Eles põem em prática o seu papel social, compartilham atos e
idéias, decidem que valores vão respeitar e aprendem a enfrentar os conflitos que
surgem dos confrontos com opiniões diferentes. A dinâmica que se estabelece entre os
componentes do grupo exige um nível de exposição pessoal que, inevitavelmente, deixa
transparecer as inseguranças de cada um. Daí a importância de haver cumplicidade e
aceitação entre os membros.
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A adolescência, de acordo com Içami Tiba, é uma espécie de segundo parto, no qual a
criança nasce da família para a sociedade. A família é o útero que proporciona o
desenvolvimento e prepara a criança para, neste período da adolescência, sobreviver
na sociedade por si mesma. O autor (1994) fala que "se no ventre materno a
mensagem dominante que a criança recebia era ditada pelos cromossomos, no útero
familiar a mensagem dominante será a do como somos". Ou seja, a forma que os pais
mostram como vivem, se sentem e agem diante da vida.
A construção da identidade sexual
Durante a gestação do como somos, transmitem-se as idéias e conceitos sobre o que
é ser homem e mulher em seu meio social. Essas mensagens não são necessariamente
verbalizadas. ?assam por detalhes como o lugar em que o pai se senta, as coisas que a
mãe faz e fala, o fato de o pai não ser incomodado ao descansar, a valorização que o
pai dá à mãe e vice-versa. Neste convívio, o adolescente adquire e incorpora a condição
do gênero masculino e feminino.
Brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança. Através da brincadeira, ela
treina ações futuras, aprende novos papéis, ensaia o comportamento esperado do sexo
a que pertence, elaborando as informações que foram transmitidas para ela. Quando 0
adulto quer saber o que uma criança pensa sobre as coisas, basta observar suas
brincadeiras. Não raramente, seu contexto está ligado à imitação de atividades
realizadas tanto pelo pai como pela mãe. E, assim, vai atravessando diversas etapas
no processo de identificação sexual: no início, imita as pessoas que têm para ela
grande valor afetivo. Depois, ao descobrir que é homem ou mulher, trata de repetir os
comportamentos do progenitor do mesmo sexo. Fato é que, aos três anos, já se
reconhece como menino ou menina. Se sua orientação sexual em termos do desejo
será dirigida a pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, isto já é outra história.
No início, a identificação pode ocorrer com ambos os pais. A criança adota atitudes e
imita comportamentos de acordo com características que considere dignas de seu
apreço. No período pré-escolar, entre quatro e cinco anos de idade, as crianças
sentemse estimuladas a se identificar com o progenitor do mesmo sexo. A partir do
momento em que notam a semelhança sexual, percebem que as ações imitadas do pai
ou da mãe especificamente costumam ser mais recompensadas e, portanto, tendem a
repeti-Ias cada vez mais.
A imitação e a socialização fazem a criança incorporar aspectos de seu cotidiano e
também as atitudes sexuais do adulto, sobretudo os beijos e abraços que vê na
televisão. Ao longo da infância, o indivíduo adquire e incorpora elementos para a
definição de sua identidade sexual. Porém, é na adolescência que esta encontra as
condições favoráveis para se estabelecer.
Existem várias teorias acerca do desenvolvimento da identidade sexual. A que
descrevo aqui é a do psicodramatista Victor DIAS (1994), que nos dá subsídios
teóricos para explicar comportamentos e esclarecer atitudes que podem levar o
professor a interpretar de forma inadequada as relações adolescentes.
Segundo este autor, durante a trajetória do desenvolvimento da identidade sexual,
existem três fases características: a auto-sexual, a homossexual e a heterossexual.
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A primeira se instala a partir das experiências que ocorrem dos quatro aos seis anos.
É a descoberta do direito ao prazer, através da manipulação do próprio corpo. É a
intimidade consigo mesmo. Há casos em que esta fase se prolonga até a vida adulta,
quando, mesmo nos relacionamentos amorosos, a pessoa se mantém com a atenção
voltada só para si, sem conseguir compartilhar intimidades.
A denominada fase homossexual vai ocorrer entre os dez e doze anos
aproximadamente. Em geral, na turma, o adolescente vai encontrar uma pessoa do
mesmo sexo que será seu grande amigo. Os pais perdem quase que completamente o
seu espaço de companheiros do filho. Este grande amigo é, na verdade, a idealização
de tudo que ele quer ser como homem ou mulher especificamente. Através do outro,
que tem um corpo igual ao dele, faz comparações corporais. Às vezes, neste processo
podem surgir jogos sexuais. Porém, mais importante que a intimidade física, enfatiza
DIAS, é a profunda intimidade psicológica que se estabelece neste relacionamento.
Tudo isso faz parte de um processo de identificação iniciado ainda na infãncia, quando
se internalizam as características e comportamentos típicos da pessoa do mesmo sexo.
Agora, o adolescente precisa de um substrato para jogar sua identidade feminina, no
caso das meninas, e masculina, no dos meninos. Essa idealização de si é refletida no
outro para depois retornar a ele. E, assim, cada adolescente vai estruturando sua
própria identidade, ou seja, aprendendo a se sentir e a ser do sexo a que pertence.
Na adolescência propriamente dita, em torno dos quinze ou dezesseis anos, é que o
adolescente está estruturado para lidar com o sexo oposto. É a considerada fase
heterossexual. Contudo, segundo ERICKSON (1987), o amor adolescente é ainda uma
tentativa de se chegar a uma definição da própria identidade. No início, eles gastam a
maior parte do tempo juntos conversando. Cada um está preso em si mesmo. Aos
poucos, o relacionamento evolui para um processo de trocas em que ambos passam a
poder inverter os papéis. Isto é, conseguem identificar como 0 outro sente, sem perder
sua identidade sexual. Este é o ápice da aquisição da identidade e da possibilidade de
manter um relacionamento heterossexual.
O Trabalho de Educação Preventiva em Escolas
O exercício da sexualidade pode ser uma fonte de imenso prazer e de expressão de
sentimentos profundos próprios do encontro amoroso, mas também pode ser uma
fonte de graves transtornos na vida pessoal e social de um indivíduo. A presença da
AIDS e o aumento de gravidez na adolescência são fatos constatados e que reforçam a
hipótese de que a desinformação, a repressão, o silêncio, o medo e outros sentimentos
negativos parecem limitar as escolhas do adolescente, ante a vida sexual e
reprodutiva, criando situações de difícil atuação para pais e profissionais que lidam
com jovens.
Nas últimas três décadas, a sociedade sofreu mudanças contundentes com relação ao
estilo de vida e aos valores ligados à sexualidade. Com isto, deixou de exercer,
ativamente, o papel de controladora da vida sexual dos jovens e transferiu para eles
próprios a responsabilidade por suas condutas sexuais.
A gravidez na adolescência e a AIDS são atualmente os grandes inimigos da vida
sexual dos jovens, por suas conseqüências na saúde e no desenvolvimento pessoal e
econômico. Para combatê-los, nada como conhecer muito bem suas características,
como agem e de quais recursos dispomos para entrar neste combate. A partir daí, de
acordo com as
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circunstâncias de vida de cada um, o jovem faz suas escolhas diante desse fato, monta
sua estratégia e assume uma conduta. Parece fácil, mas é aí que se encontra o grande
desafio do trabalho de prevenção! A conduta, de acordo com PILON (1987), "é produto
de uma bússola interna, constituída de valores e crenças introjetadas socialmente ou
desenvolvidas pela reflexão filosófica, religiosa, ou científica". Isto significa que o ser
humano está em constante processo educativo em relação á sua sexualidade dentro
de seu âmbito familiar e social.
A gravidez na adolescência é um problema multifacetado, de difícil solução e que sofre
influências de vários fatores biológicos, psicoemocionais e socioculturais. Por sua vez,
a contaminação pelo Vírus da Imunodeficiëncia Humana (HIV), que causa a Síndrome
de Imunodeficiência Adquirida (AIDS), está associada a comportamentos que
possibilitam o contato com sangue, sêmen e secreções vaginais. Portanto, a prevenção
no âmbito da sexualidade envolve a utilização de métodos seguros, recomendados
pelas organizações especializadas, tais como o uso de "preservativo" (a "camisinha") e
as práticas sexuais que não redundem numa relação com penetração peniana. Essas
práticas criam circunstâncias que vão atingir, de uma forma geral, a auto-imagem em
relação à valoração social. A alternativa é desenvolver uma cultura que favoreça a
adequação do comportamento sexual do jovem à prevenção de Gravidez, AIDS e
Doenças Sexualmente Transmissíveis.
A Escola foi o local eleito para inserir no processo educacional a educação preventiva.
Possui uma estrutura adequada para proporcionar o aprendizado formal; é um lugar
freqüentado por grande número de crianças e jovens, continuamente, durante várias
horas de seu dia e por um longo período de sua vida, e favorece as relações sociais e
trocas intensas de informações e de normas de conduta, que influenciam direta ou
indiretamente o indivíduo.
Pressupostos do trabalho de educação preventiva
• Todo jovem tem o dever e o direito à realização pessoal/social.
A educação preventiva, para ser eficaz, necessita englobar a formação de hábitos,
atitudes e valores condizentes com a valorização da vida. Portanto, é imprescindível
que o profissional esteja convicto deste direito, e mais: de que ele pode contribuir para
esta realização através deste trabalho. Por outro lado, o adolescente precisa ser/estar
convencido de que a melhoria da qualidade de vida e o respeito à cidadania fazem
parte dos direitos humanos.
• O adolescente é um ser sexuado.
A abordagem do trabalho deve partir do princípio de que todos os jovens vivem ou
viverão logo a seguir sua vida sexual ativa. A conversa é franca eleva em consideração
os valores próprios de cada sociedade, o espírito crítico e criativo para a busca de
condutas que dispensem o risco desnecessário.
• Há aspectos socioculturais que dificultam a aquisição de responsabilidades.
Para assumir a sexualidade com responsabilidade, o adolescente tem de se deparar
com circunstâncias diretamente ligadas a valores e crenças muitas vezes adversos à
cultura sexual de nossa sociedade. Conceitos como quem ama confia, a valorização
da
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virgindade, a submissão feminina e o comportamento machista são alguns dos
mecanismos inibidores das ações preventivas que temos encontrado na fala dos
adolescentes.
• A informação é um bom instrumento.
Embora por si só não garanta a incorporação das ações preventivas, a informação
técnico-científica é o referencial que dá a compreensão dos fatos. Através das
temáticas específicas, o adolescente adquire o conhecimento necessário para poder
relacionar suas atitudes aos fatores de risco e poder identificar o seu grau de maior ou
menor vulnerabilidade diante de uma gravidez, da AIDS e DST
• A reflexão é imprescindível para alterar valores e crenças.
Na educação preventiva é importante utilizar uma metodologia participativa. Esta vai
permitir a compreensão da temática específica dentro de uma abordagem que, além de
evidenciar a dimensão individual e biológica, revela como o contexto sociocultural
emergente e o processo psicológico se articulam entre si, definindo nesta circunstância
a dinâmica sexual do adolescente diante dos fatores que contribuem para dificultar ou
impedir a aquisição de hábitos de prevenção da AIDS, DST e gravidez.
• Todas as pessoas envolvidas com o adolescente contribuem nas medidas
preventivas.
Para desenvolver o trabalho de educação preventiva é importante envolver todos os
adultos que participam do cotidiano do adolescente. É necessário que a família e a
instituição criem uma filosofia para lidar com a sexualidade do adolescente que seja
compatível com a possibilidade de execução das ações preventivas.
Diretrizes do trabalho
O objetivo fundamental é desenvolver junto ao adolescente e aos adultos que o cercam
uma cultura que favoreça a diminuição da vulnerabilidade do adolescente em contrair
a gravidez, AIDS/DST. Em nossa experiência, pudemos identificar que é fundamental
a criação de um ambiente onde as relações e informações favoreçam o
desenvolvimento integral do adolescente. Para tanto, utilizamos em nosso trabalho a
inserção da educação sexual e da orientação sexual nas ações preventivas.
• Educação sexual: A família é em primeira instância o elemento formador da criança,
e os pais, desde muito cedo, se encarregam da responsabilidade de educar
sexualmente seus filhos de maneira informal, passando seus valores culturais e
crenças através do trato com a criança. Simultaneamente, as relações sociais
favorecem trocas intensas de informações e de normas de conduta, formando um
amplo conjunto de influências exercidas direta ou indiretamente sobre o indivíduo. A
este processo chamamos "educação sexual". Portanto, em qualquer situação, o adulto
pode e deve participar da educação preventiva enfocando a qualidade de vida e o
respeito à cidadania e aos direitos humanos.
• Orientação sexual: A orientação sexual tal como a entendemos pressupõe uma
sistematização do conteúdo adquirido sobre a sexualidade através de informações e de
experiências vividas. É uma atividade que se caracteriza como uma intervenção no
processo educacional de caráter preventivo, intencional e sistemático, através de
esclarecimentos, informações adicionais e reflexões sobre fatos ligados à sexualidade.
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A orientação sexual é uma prática realizada em diversos países da Europa e nos
Estados Unidos, há vários anos, com objetivos que variam de acordo com os
acontecimentos e mudanças sociais e científicas que podem interferir no
comportamento sexual das pessoas. Atualmente, a sua justificativa se dá pela
necessidade de o jovem de hoje ter um espaço para refletir e compreender as inúmeras
informações e os estímulos sexuais aos quais está exposto, dentro de uma cultura que
ainda tem dificuldades para lidar com a sexualidade. Portanto, a orientação sexual
prioriza o desenvolvimento do papel sexual ante as circunstâncias de ordem pessoal e
relacional.
Sua realização pode se dar tanto individualmente como em grupo. Através da
coordenação de um orientador sexual, são proporcionados ao jovem esclarecimentos,
informações adicionais e reflexões sobre temas e fatos ligados à sexualidade. O
orientador faz uma pesquisa de coleta de informações acerca da realidade e dos dados
que o indivíduo ou grupo possui sobre o tema a ser trabalhado, e a relaciona a seu
contexto sociocultural e projeto de vida. Por exemplo: ao trabalhar AI DS/DST, o papel
do orientador é sistematizar o conteúdo que o adolescente possui em relação ás
doenças, aos meios de transmissão e a seus mecanismos de prevenção, e proporcionar
a intervenção necessária ao desenvolvimento de ações preventivas.
Elementos fundamentais do orientador
A orientação sexual é um trabalho que vai lidar diretamente com os conceitos e
vivências que o adolescente/grupo tem introjetado sobre o tema em evidência e com a
relação de valor que ele estabelece diante destas circunstâncias. Para tanto, é
imprescindível que o orientador crie um clima afetivo e de confiança e faça uma
pesquisa orientada e sistematizada para a identificação das necessidades e do tipo de
intervenção pertinente para suprir as carências deste adolescente ou grupo na
temática trabalhada. Este profissional, em geral, necessita de supervisão e suporte
técnico, para garantir a realimentação profissional e assegurar ações preventivas
efetivas.
• Clima afetivo e de confiança: É o estabelecimento de condições propícias ao
crescimento. Baseia-se na relação interpessoal entre o orientador e o
adolescente/grupo de adolescentes. É este clima que vai permitir que o adolescente
conte a sua história e a versão dos fatos da forma mais completa possível. Ou seja, vai
atuar como uma rede de sustentação para que a pesquisa se realize. Ele é composto
de aceitação, proteção e continência. Estas características estão intimamente ligadas à
vivência pessoal do orientador, a seu grau de saúde mental e a seu conhecimento
teórico.
• Pesquisa: Ela compreende desde o conhecimento do contexto sociocultural do
adolescente, a forma como ele se relaciona com os fatos, até a identificação do tipo de
carência que dificulta a conduta responsável do adolescente. Ela é importante para o
profissional atingir as necessidades específicas de sua clientela, não caindo no erro de
trabalhar algo que já é de seu conhecimento ou que já faz parte de sua conduta. É a
pesquisa que dará ao profissional o suporte para uma intervenção eficaz.
• Intervenção: São as modificações necessárias nos conceitos introjetados e nas
relações que o adolescente estabelece com a temática em questão. Ela deve promover a
reformulação do conceito sobre si mesmo, sobre seus valores e sobre os valores e
conceitos dos que o cercam. Para tanto a intervenção deve ser efetuada através de
uma metodologia com base na educação participativa, que tem
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demonstrado garantir o envolvimento do adolescente e tem revelado ser um
instrumento extremamente adequado à proposta do trabalho de orientação sexual, por
proporcionar a aprendizagem e facilitar as relações interpessoais e a interação grupai.
• Supervisão e suporte técnico: Mecanismo de avaliação contínua que visa garantir a
eficácia do trabalho, e imprescindível para a formação de uma cultura na área de
educação sexual. Exige uma periodicidade de, no mínimo, um encontro por mês com
os professores, no sentido de ampliar os subsídios teóricos e de auxiliar na
implantação e manutenção das atividades que estes profissionais vierem a desenvolver
nesta área, em sua instituição.
Considerações Finais
O trabalho de educação preventiva ligada à sexualidade envolve a definição de
diretrizes que contemplem a formação integral do adolescente e a participação efetiva
de todos os integrantes do universo escolar. Na realização da orientação sexual, são
fundamentais, para a credibilidade das ações preventivas, posturas seguras e
assertividade, bem como que o corpo docente passe por uma capacitação
profissional mais ampla, com relação ao conteúdo tanto técnico-científico como
metodológico e vivencial. O processo de aprendizagem corresponde a uma assimilação
por meio de uma reflexão crítica, estimulando a criatividade e a iniciativa, a serem
desenvolvidas através de uma metodologia adequada que leve em conta o contexto
sociocultural e os problemas a serem enfrentados. E, finalmente, para garantir o
desempenho do educador em seu papel de orientador sexual e das propostas
elaboradas para o trabalho de educação preventiva, estes profissionais necessitam de
uma supervisão e suporte técnico de forma contínua.
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O que é ser Pedagogo.

Há algum tempinho que acabei a faculdade de pedagogia, pela qual passei três anos da minha vida tentando entender à psicologia infantil, trabalhei alguns meses em cima da minha monografia, na qual, tinha o tema: A Psicanálise dos Contos de Fadas na Educação Infantil, não foi muito fácil, mais depois de três anos sem ter um pouco de vida pessoal e sem tempo estou aqui formada tentando algo que possa ser útil para minha formação.
Muita duvida tive, ao longo de minha formação, entre ela o papel do professor na vida de seu aluno pela qual reservo um pouco do meu tempo para trabalhar com vocês. Muitos me perguntam se vou lecionar aula, digo que não sei se um dia chegarei a enfrentar uma sala de aula, me perguntam então o porquê fiz o curso de pedagogia, descobri que o curso pelo qual sou formada me reserva muito mais do que uma simples sala de aula.
Voltando ao papel do professor agora sendo Pedagogo, para que e o porquê ter, ser um pedagogo, profissão que necessita de amor, respeito e responsabilidade, tendo como base os quatros pilares da educação: aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a conviver, servindo de base para a pedagogia.
O pedagogo precisa sempre estar atualizado, não se pode formar e estacionar em uma escola hoje ele precisa muito mais do que pegar na mão do aluno e ajudar ele a escrever, tem se como objetivo formar um cidadão críticos capazes de mudar a sociedade pela qual vivemos, tem que estar sempre aprendendo seja com seu aluno, com seu companheiro de trabalho, com a família ou com o amigo, apesar de que estes pilares da educação servem de base para tudo que se tem hoje, umas das causas pela qual a profissão de pedagogo tem aberto novos caminhos.
Ser pedagogo não significa só atuar em escola ou sala de aulas, tem que ser muito mais além, acima de tudo, precisa estar acompanhando tudo a nossa volta a historia muda a cada dia, não deixando para traz nossas raízes mais sim atualizando nossos conhecimentos e aprendendo a cada dia um novo jeito de compreender a vida.
Pedagogo vem de Pedagogia que é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo, sua palavra tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). O profissional cuja formação é a Pedagogia, no Brasil é uma graduação da categoria Licenciatura ou Gestão Escolar (administração escolar, orientação pedagógica e coordenação educacional). Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas em três grupos básicos: Disciplinas filosóficas, Disciplinas científicas e Disciplinas técnico-pedagógicas.

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