6 de fev de 2012

O PAPEL DO PROFESSOR - DO CONTEXTO PRESENCIAL PARA O AMBIENTE ONLINE E VICE-VERSA


A explosão de usos da rede mundial de computadores para os mais variados propósitos educacionais têm proporcionado um novo contexto de atuação para os professores - o ambiente online.

Como os professores que vêm atuando em cursos online normalmente têm experiência em contextos presenciais, uma boa parte da literatura sobre o papel do professor online (aquele que atua em cursos via Internet) trata de comparações entre as modalidades presencial e virtual e da passagem de uma para outra.

É preciso lembrar, entretanto, que não existe uma única forma de educação presencial, nem uma única forma de educação a distância (EaD) online. O que se pode comparar são as possibilidades e potencialidades de cada meio, as práticas mais comuns na sala de aula convencional e aquelas que vêm sendo utilizadas em cada tipo de curso online.

Nunan (1999:71) ressalta, por exemplo, que, "embora a instrução mediada pela rede facilite a aprendizagem independente e colaborativa e esteja em harmonia com a visão construtivista do conhecimento, e embora ela ofereça um grande potencial para aqueles que aderem a abordagens de aprendizagem construtivistas, centradas no aluno e colaborativas" (tradução minha), não há nada inerente ao meio virtual que conduza a isso. A rede pode também ser utilizada para dar suporte a cursos e programas tradicionais, centrados no professor e baseados na transmissão de conhecimentos. Nunan (1999) argumenta que, apesar de óbvia, essa observação é freqüentemente esquecida em meio à excitação gerada pelos novos meios emergentes de ensinar e aprender.

De qualquer forma, as possibilidades de mudanças na educação pela introdução progressiva da tecnologia têm gerado questionamentos nos professores sobre o seu papel social e sua prática pedagógica. Pode-se dizer que, a princípio, diante dos desafios dos novos instrumentos, os professores engajados neste processo tendem a se preocupar em desenvolver habilidades tecnológicas. Conforme observado por Sherry, Lawyer-Brook e Black (1997), com uma mudança de foco para o conteúdo instrucional e seu aperfeiçoamento, o impacto da comunicação via computador se torna muito maior. Os professores passam a estimular a comunicação em rede, compartilhar informação e encorajar seus alunos a construir seu próprio conhecimento ao realizar atividades online.

Segundo Sherry (1998), o professor passa a se ver como um orientador - que apresenta modelos, faz mediações, explica, redireciona o foco e oferece opções - e como um co-aprendiz que colabora com outros professores e profissionais. A maioria dos professores ou instrutores que utilizam atividades de ensino mediadas pelo computador prefere assumir o papel de moderador ou facilitador da interação em vez do papel do especialista que despeja conhecimento no aluno (Sherry, 1998; Berge, 1997).

Sherry (1998) destaca, entretanto, que cabe ao professor decidir seu grau de envolvimento e intervenção nas diversas atividades e contextos de comunicação em rede, optando, por exemplo, por se excluir de discussões e dando mais liberdade para os alunos ou, por outro lado, mantendo uma forte presença na conversação para corrigir, informar, opinar, convidar alunos para participar.

A redefinição dos papéis dos professores pelo uso da tecnologia envolve questões como estilos de ensino, necessidade de controle por parte do professor, concepções de aprendizagem e a percepção da sala de aula como um sistema ecológico mais amplo, no qual os papéis de professores e alunos estão começando a mudar.

Na verdade, as diferenças entre o contexto educacional presencial e o virtual fazem com que o processo de transição de um meio para o outro não seja fácil para muitos professores. Feenberg (1987), por exemplo, destaca a dificuldade inicial sentida por muitos moderadores de conferências eletrônicas em transpor suas habilidades de liderança desenvolvidas em contextos repletos de sinais sociais (tais como sorrisos e balançar de cabeça em sinal de aprovação ou franzir de testas para indicar surpresa ou discordância) para o ambiente de uma lista de discussão onde o próprio contexto de comunicação e construção de sentido precisa ser explicitamente apresentado e negociado.

Gunawardena (1992) relata que, ao decidir adotar para sua prática pedagógica online um modelo centrado no aluno, na interação e cooperação entre participantes, encontrou dificuldades em abrir mão do controle da sala de aula tradicional e percebeu que alguns alunos encontraram igual dificuldade em assumir responsabilidade pela sua própria aprendizagem e solicitaram apoio constante.

Pesquisas (como Berge, 1997) sugerem que o processo de transição para o ensino online é mais fácil para professores filosoficamente orientados para o ensino centrado no aluno por estarem mais acostumados à discussão e à interação.

Com base em todos os estudos aqui discutidos, parece-me possível dar um passo adiante e levantar uma hipótese de "retro-transição", isto é, uma espécie de transição de volta, do contexto online para o presencial, em que a experiência de atuar como professor em um ambiente online que adote uma abordagem construtivista e colaborativa de aprendizagem exerceria um impacto sobre a prática pedagógica tradicional do ambiente presencial, tornando-a menos centrada no professor. Em outras palavras, a docência online levaria o professor a questionar e modificar sua atuação na sala de aula presencial. Pesquisas que investiguem estes possíveis efeitos serão muito bem-vindas.

Esse texto é da Professora
Kátia Tavares
Professora da Faculdade de Letras - UFRJ
Doutoranda em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem - PUCSP

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O que é ser Pedagogo.

Há algum tempinho que acabei a faculdade de pedagogia, pela qual passei três anos da minha vida tentando entender à psicologia infantil, trabalhei alguns meses em cima da minha monografia, na qual, tinha o tema: A Psicanálise dos Contos de Fadas na Educação Infantil, não foi muito fácil, mais depois de três anos sem ter um pouco de vida pessoal e sem tempo estou aqui formada tentando algo que possa ser útil para minha formação.
Muita duvida tive, ao longo de minha formação, entre ela o papel do professor na vida de seu aluno pela qual reservo um pouco do meu tempo para trabalhar com vocês. Muitos me perguntam se vou lecionar aula, digo que não sei se um dia chegarei a enfrentar uma sala de aula, me perguntam então o porquê fiz o curso de pedagogia, descobri que o curso pelo qual sou formada me reserva muito mais do que uma simples sala de aula.
Voltando ao papel do professor agora sendo Pedagogo, para que e o porquê ter, ser um pedagogo, profissão que necessita de amor, respeito e responsabilidade, tendo como base os quatros pilares da educação: aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a conviver, servindo de base para a pedagogia.
O pedagogo precisa sempre estar atualizado, não se pode formar e estacionar em uma escola hoje ele precisa muito mais do que pegar na mão do aluno e ajudar ele a escrever, tem se como objetivo formar um cidadão críticos capazes de mudar a sociedade pela qual vivemos, tem que estar sempre aprendendo seja com seu aluno, com seu companheiro de trabalho, com a família ou com o amigo, apesar de que estes pilares da educação servem de base para tudo que se tem hoje, umas das causas pela qual a profissão de pedagogo tem aberto novos caminhos.
Ser pedagogo não significa só atuar em escola ou sala de aulas, tem que ser muito mais além, acima de tudo, precisa estar acompanhando tudo a nossa volta a historia muda a cada dia, não deixando para traz nossas raízes mais sim atualizando nossos conhecimentos e aprendendo a cada dia um novo jeito de compreender a vida.
Pedagogo vem de Pedagogia que é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo, sua palavra tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). O profissional cuja formação é a Pedagogia, no Brasil é uma graduação da categoria Licenciatura ou Gestão Escolar (administração escolar, orientação pedagógica e coordenação educacional). Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas em três grupos básicos: Disciplinas filosóficas, Disciplinas científicas e Disciplinas técnico-pedagógicas.
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